sexta-feira, 4 de novembro de 2011

De onde será que a felicidade vem?

Olhou para todos os lados tentando descobrir de onde a felicidade vinha e tudo o que descobriu foi que a vida é feita de infinitas possibilidades.

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Conversavam na sala de casa quando ela disse que queria ser mãe com no máximo 25 anos. Ele não aceitou, brigou, discutiu. Não queria uma irmã que fosse mãe solteira.

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Entendia que a vida era feita de caminhos, e que todas as coisas que já tinham acontecido foram importantes para ser quem era agora.

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Ela tentou explicar que independente de um marido ou um pai, seu filho poderia ser criado sim, e muito bem criado por sinal. Ele rebatia que a criança precisaria de uma estrutura, de uma família.

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Se sentia bem com quem era, se voltasse atrás teria feito tudo de novo, sem mudar uma virgula em sua vida.

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Queria que ele entendesse que uma mãe e um filho podem ser uma família. Queria mostrar a todo custo que ela estava errada.

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Acordou sorrindo, olhou pro céu e viu o tempo azul.

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Não tinha jeito, não tinha acordo, para ele era aquilo e ponto final. Ela se sentiu ferida por não ter seu ponto de vista respeitado, visto que as cosmovisões eram diferentes, e nem por isso eram erradas.

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Chorou de alegria nesse dia, pois...

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Ainda tentou explicar o conceito de etnocentrismo e relativismo cultural. Para ele o ponto final já tinha sido dado dois parágrafos antes.

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... descobriu que estava grávida.

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Desistiu de tentar mostrar o seu lado, simplesmente foi viver a sua vida, seus valores e seu mundo. Ele ficou lá, no mundo dele, que era tão pequeno e tão grande, assim como o mundo dela.

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Por mais que tentasse, nunca conseguiu expressar em palavras o que sentira quando soubera que iria ser mãe.

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A vida trouxe muita coisa, para cada um dos dois.

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O pai da criança decidiu ir embora, sumir da vida dela e do filho.

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Ela se formou, ele também.

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Decidiu criar o filho sozinha, seria pai e mãe.

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Ela fez mestrado, ele foi trabalhar na industria.

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Viveu os nove melhores meses de sua vida.

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Ela engravidou antes do doutorado, como tinha planejado. Ele comprou um apartamento caro em um lugar bom, pois pensava em casar.

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Todos os dias acordava feliz.

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A criança nasceu. Ele se casou.

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A criança crescia dentro dela.

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Conseguiu comprar uma casinha, num subúrbio, o que importava é que era própria. Ele mudou para um apartamento maior, planejava ter filhos.

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A criança nasceu. Foi o dia mais feliz da vida dela.

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A criança crescia, assim como as flores no jardim da casa própria. Depois de dois anos, conforme tinha planejado, foi pai.

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Descobriu...

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Depois da vida inteira. Ela tinha uma vida simples, sem muitos luxos, um filho grande, uma família de dois, bonita. Ele tinha a vida dele, casado, com filhos, não lhes faltava nada. Ela era feliz. Ele era feliz. Cada um na sua vida, nos seus caminhos.

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...de onde vinha a felicidade.


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título e texto inspirado em uma frase dessa música, e de uma conversa que tive hoje.
lua durand

domingo, 25 de setembro de 2011

Sobre Caminhos.

Respirou fundo quantas vezes achou necessário para se sentir preenchido. Sentia falta de ar, sentia o mundo comprimindo. Sentia que estava no lugar errado, na hora errada, no dia errado, na vida certa. Caminhou até onde os seus pés o levaram, e quando estancou o corpo a única coisa que viu foi uma cadeira, sentou-se. À sua frente contemplava o mundo, e todos os caminhos pelos quais a partir desse momento poderia seguir. Percebeu que estava de frente para a vida, com todas as suas infinitas possibilidades, ainda assim não sentiu medo. Teve sono e dormiu. Sonhou que era uma árvore, e sendo árvore se ramificava em muitos galhos, a direção era o céu. Sentiu a vida correndo pelo seu corpo, e compreendeu o que queria dizer as infinitas possibilidades dos caminhos abertos à sua frente. Cada galho que saia em direção ao céu, não encontrando a luz do sol, estancava e se ramificava por outro lado, aqueles que ficavam no escuro também faziam parte de si e dos caminhos. Compreendeu então que apesar de saber que tinha infinitas possibilidades a seguir não saberia o que estas lhe reservaram se não escolhesse seguir por elas, não saberia se encontraria o sol ou a escuridão se não tivesse coragem de seguir por elas. Foi aí então que sentiu medo. Medo pela incerteza dos caminhos que se abriam, mas não podia mais ficar parado pois o tempo, sábio senhor da vida, corria em volta dele, fechando o cerco e dizendo para ele se movimentar. Resolveu não pensar, e fazer como fizera pra chegar até ali, fechar os olhos e deixar os pés seguirem. Sabia sim, que chegaria algum dia, a algum lugar. Talvez esse fosse o objetivo, ou talvez descobrisse que no fim o objetivo era caminhar. Andou, andou, andou, andou. Percorreu vários caminhos, e assim como a árvore do sonho, estancou em alguns e se ramificou para outros. Descobriu que mesmo na escuridão, ainda tinha luz a se olhar, a luz da escuridão era o aprendizado que este caminho trazia consigo, ensinando, modelando, marcando, ferindo... Então vinha o tempo e curava a dor. E ele seguia novamente. Em um, dentre tantos caminhos que foram percorridos, conheceu a música que havia presente no silêncio. Se apaixonou. E descobriu que não podia viver a vida sem o som do silêncio, mas sabia que não podia parar, guardou consigo o que pôde, e continuou. Conheceu em outros caminhos o mar, aí descobriu o Amor. Quis levar o mar inteiro consigo, tentou, tentou, tentou e... não conseguiu. Guardou novamente o que pôde e seguiu. De olhos fechados e coração aberto, conheceu tanta coisa, tantos lugares, tantas pessoas. Seguiu seu caminho certo de que chegaria um dia enfim ao fim. E chegou. Chegou velho, cansado e sorrindo. Ainda de olhos fechados e agora de alma leve. A leveza foi o ultimo caminho que percorreu, deixando pra trás todo o peso dessa vida sentiu que seus pés queriam parar. Parou em um dia de sol de data não especificada. Teve coragem de abrir os olhos. Abriu. Encegueceu de tanta luz, e de seus olhos cegos e cansados caia o mar que guardou n'alma. E da sua alma saia a música contida no silêncio, lugar onde descobrira o amor. Não morreu. A alma se expandiu tanto que soltou-se do corpo como luz, e nesse dia disseram que a noite parecia dia. O corpo de tão cansado tombou ao chão, voltou à terra, e de lá brotou novamente, como a árvore do sonho, crescendo, florescendo, frutificando e seguindo, por e para todos os caminhos.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Bonita de Pedra e Céu.

Todas as águas do mundo saiam dos olhos dela. Ela chovia, desaguava, corria, parava, caía, ela chorava. Em algum lugar do tempo, o parado deu lugar ao partido. Tudo o que havia de sólido se desmanchou no ar. A vida como ela era se tornou insustentavel. O coração de amarelo de outrora, chegara de uma vez por todas ao seu fim. O santo havia quebrado, de uma vez só, e sempre.
Doeu, doeu, doeu, doía tanto agora. Que ela não sabia outra coisa a fazer, se não sentir. Sentiu tanto que acabou perdendo o sono, a fome, a vontade de ser, e inexistiu. Disseram que chovia no céu a partir dos olhos dela, no dia em que o tempo se partiu.

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"...se tardasse voltaria, no arrudeio que se fez, lembra aquele castelinho? moraria, moraria..."
*o titulo e esse trecho entre aspas foram tirados da musica de Junio Barreto, Bonita de Pedra e Céu.