Olhou para todos os lados tentando descobrir de onde a felicidade vinha e tudo o que descobriu foi que a vida é feita de infinitas possibilidades.
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Conversavam na sala de casa quando ela disse que queria ser mãe com no máximo 25 anos. Ele não aceitou, brigou, discutiu. Não queria uma irmã que fosse mãe solteira.
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Entendia que a vida era feita de caminhos, e que todas as coisas que já tinham acontecido foram importantes para ser quem era agora.
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Ela tentou explicar que independente de um marido ou um pai, seu filho poderia ser criado sim, e muito bem criado por sinal. Ele rebatia que a criança precisaria de uma estrutura, de uma família.
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Se sentia bem com quem era, se voltasse atrás teria feito tudo de novo, sem mudar uma virgula em sua vida.
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Queria que ele entendesse que uma mãe e um filho podem ser uma família. Queria mostrar a todo custo que ela estava errada.
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Acordou sorrindo, olhou pro céu e viu o tempo azul.
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Não tinha jeito, não tinha acordo, para ele era aquilo e ponto final. Ela se sentiu ferida por não ter seu ponto de vista respeitado, visto que as cosmovisões eram diferentes, e nem por isso eram erradas.
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Chorou de alegria nesse dia, pois...
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Ainda tentou explicar o conceito de etnocentrismo e relativismo cultural. Para ele o ponto final já tinha sido dado dois parágrafos antes.
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... descobriu que estava grávida.
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Desistiu de tentar mostrar o seu lado, simplesmente foi viver a sua vida, seus valores e seu mundo. Ele ficou lá, no mundo dele, que era tão pequeno e tão grande, assim como o mundo dela.
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Por mais que tentasse, nunca conseguiu expressar em palavras o que sentira quando soubera que iria ser mãe.
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A vida trouxe muita coisa, para cada um dos dois.
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O pai da criança decidiu ir embora, sumir da vida dela e do filho.
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Ela se formou, ele também.
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Decidiu criar o filho sozinha, seria pai e mãe.
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Ela fez mestrado, ele foi trabalhar na industria.
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Viveu os nove melhores meses de sua vida.
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Ela engravidou antes do doutorado, como tinha planejado. Ele comprou um apartamento caro em um lugar bom, pois pensava em casar.
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Todos os dias acordava feliz.
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A criança nasceu. Ele se casou.
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A criança crescia dentro dela.
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Conseguiu comprar uma casinha, num subúrbio, o que importava é que era própria. Ele mudou para um apartamento maior, planejava ter filhos.
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A criança nasceu. Foi o dia mais feliz da vida dela.
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A criança crescia, assim como as flores no jardim da casa própria. Depois de dois anos, conforme tinha planejado, foi pai.
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Descobriu...
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Depois da vida inteira. Ela tinha uma vida simples, sem muitos luxos, um filho grande, uma família de dois, bonita. Ele tinha a vida dele, casado, com filhos, não lhes faltava nada. Ela era feliz. Ele era feliz. Cada um na sua vida, nos seus caminhos.
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...de onde vinha a felicidade.
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título e texto inspirado em uma frase dessa música, e de uma conversa que tive hoje.
lua durand