quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Escuro.

Todo poeta é triste.
E seus versos quase sempre são rimados.
Por tras do pranto sempre há a dor.
E por tras de um amor se esconde a solidão.
A flor mais bonita esteve nos pequenos cachos de outra flor.
A flor mais bonita, morreu.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Lirio.

Nasceu, aparentemente igual as outras, com o mesmo destino também, passava os dias ninguém a notava ,todos passavam e ela sem ninguém. De tão cansada suspirou, perdeu o equilibrio caiu no chão. Não se sabe por quanto tempo ali ficou, até uma menina triste lhe colocar entre os cachos, reconhecendo o seu valor.

- Trajetória de uma flor. -

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Valsa do sem fim.

Ninguém nunca soube.
Ninguém nunca sentiu nada.
O mundo parou nos olhos de ninguém.
A saudade ficou.
A saudade e a idade.
A idade essa sim passou, foi para bem longe, onde não se pode mais alcançar.
Os cabelos ficaram brancos, a memória nunca mais voltou.
E a solidão sempre fica.
Aqui.
Do lado de lá só tem desprezo, onde do lado de cá só tinha amor.
A idade e a saudade, a saudade e o amor.
O amor chegou agora, atrasado.
Nessa festa tão bonita onde tem palavras.
Tem samba e tem sabor.
Sabor de estrada.
Daquelas que não tem volta.
Mas tem começo, meio e fim.
- Hoje um pedaço de mim foi embora. -
- Hoje um pedaço de mim nunca mais voltou. -

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

O mundo de nós dois.

O seu mundo preto e branco que não tinha cor alguma. O seu mundo tão silencioso onde não se ouvia um único ruido. O seu mundo tão fechado onde não havia mais ninguém. Até ele chegar. Até ele sorrir. Até ele a encontrar, em um dia a parte, em um lugar qualquer. Onde as palavras que eles falavam não conseguiam ultrapassar a barreira do som ambiente. E mesmo assim o silêncio se fez presente, o silêncio das estrelas, ou do sorriso que estava nos lábios dele. De repente tudo parou, o senhor que vendia pipoca na esquina, o gato que roçava as pernas dela pedindo atenção e também o garçom que nesse momento abria uma bebida na mesa vizinha. Tudo parou. Ele sorria e a olhava, enquanto ela procurava nos postes a luz de algum vagalume a qual pudesse brincar. Ela não notou, ele estava lá. No seu mundo, no mundo dela. Tinha ele ultrapassado a barreira do som ambiente, do silêncio dela e a distância que separava os dois.
Ele estava lá, com ela. Foi ai então que ela o viu. Olhou, pensou e sorriu. O mundo lá fora parado não podia ver a banda que passava no mundo dela, cantando coisas de amor. O mundo que até pouco tempo atrás era preto e branco começava agora a ganhar cores. As cores de um arco-íris que eles veriam sempre que no sol de meio dia tomassem banho na fonte de uma praça qualquer, sem se preocupar com o que o mundo iria pensar. Porque o que realmente importava cabia no sorriso dela, e nos risquinhos da iris dos olhos castanhos dele.

O mundo dela, agora o mundo dele.


terça-feira, 9 de outubro de 2007

Luizas.

Quando me dá saudade fecho os olhos devagarzinho e assim no escuro dos olhos fechados vou seguindo pelo labirinto da minha memória, vendo e revendo tudo o que já passei. E em algumas lembranças sinto uma enorme vontade de parar e ali ficar pra sempre, ou então guardar tudo na palma da mão e segurar bem forte para quando a quimera da saudade passar e eu abrir os olhos e ter diante de mim uma menininha morena dos olhos castanhos e o cabelo que de tão liso não dá uma volta. E ela vai olhar pra mim um tanto assustada e vai se perguntar quem eu sou, e vai olhar para os lados para saber onde está.
O lugar ela vai reconhecer, mesmo sem aquele velho lustre que de noite projetava majestosamente a sombra de suas bolinhas na parede, e que ela por vezes dançava sozinha naquele salão iluminado, confundindo-se na sua própria sombra, ela vai reconhecer. E quando souber onde está vai sair correndo pelas salas, subindo e descendo escadas, procurando o seu bem mais precioso, a sua pessoa mais cara, aquela que ela guardou para sempre no relicário que era o seu próprio coração.
Ela não estava lá, não mais, a menina corre e eu corro atras dela com lágrimas nos olhos pela tristeza que verei refletida nos olhos dela por não achar seu bibelô, sua avó. E também pela tristeza que sinto em meu peito por reviver novamente a cena em que entrei naquela casa correndo no dia em que me foi o mais triste, e na cortina de lágrimas que havia em meus olhos eu via em cada gota salgada um momento que vivi com ela, e ela não estava mais lá.
A busca da menina parou no mesmo ponto que a minha há tempos atrás na porta do quarto de minha avó, de nossa avó. E nós duas na mesma hora encostadas na parede nos deixamos deslizar para o chão junto com as lágrimas que deslizavam em nossas faces. E as duas apertavam os joelhos contra o corpo, para tentar se sentir protegida.
Ela chegou mais perto de mim, aconcheguei-a no meu colo e a abracei, ela segurava minha mão apertando-a, e eu já adulta chorava como uma criança e ela segurando as lágrimas fechou os olhos devagar e fazendo isso eu entrei nas lembranças dela e ela me guiava, assim como eu a guiei nas minhas, até chegar em um lugar bonito e confortável.
Ela me deixou lá com um beijo no rosto e foi ai que eu lembrei o que tinha dito pra ela há muito tempo atrás, era a promessa de não crescer e eu falhei. Ela então me disse que eu ficaria nesse lugar bonito para sempre e ela, ah ela, ela assim nunca iria crescer.
Eu sorri, e depois do meu sorriso ela abriu os olhos, e se encontrava então sozinha na porta do quarto da avó segurando os joelhos sentada no chão, até que sentiu uma mão lhe afagar os cabelos carinhosamente, foi levantando os olhos devagar e o sorriso crescendo a medida que olhava.

- Seu bibelô, seu amor, sua criança ainda estava lá, sua avó.

A felicidade que sentiu naquele momento só as crianças são capazes de sentir, mas eu senti. pois eu também estava lá, dentro dela, eu era ela.

- Ela sempre foi eu. -


segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Blasé.

- O Perfume forte, a garganta seca e a consciência de solidão. -

Aquele cheiro que estava impregnado no seu corpo e que de tanto sentir lhe enjoara em demasia, e agora lhe dava nojo, seu próprio perfume. E na garganta o resultado do capricho de um vicio adquirido na saída da infância, o hábito de fumar. O cigarro lhe era uma espécie de alucinogeno e calmante e se assim puder se considerar, a sua droga favorita. Passava na sua cabeça as imagens da juventude, os vários amigos e a vontade de abraçar o mundo, e tudo isso girava numa espécie de turbilhão.
Sozinho, em casa ia de um canto a outro agoniado, queria gritar e não conseguia, até mesmo a sua droga não lhe trazia mas paz. Despiu-se por completo, deitou-se no chão da sala acompanhado da velha arma de seu pai, pela janela o sol ia embora, assim como a juventude, o que não lhe era concebível, depois do último raio e agora com a escuridão um som rascante cortou o ar, uma vida se esmaeceu e no cinzeiro um cigarro inacabado se consumia na própria chama perto de um bilhete que dizia assim:

- Aos 25 eu fui, a vida continua.

Sim ele foi, ninguém notou.

-

Peço desculpas a todos pela ausência.
Muitas idéias, pouca inspiração.
Responderei aos memes e indicações a prêmios e selinhos em postagens futuras.
Obrigada a todos.

Au Revoir

01.10.2007
Lua Durand.


sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Nêgo Romeu¹.

Romeu queria o mundo.
Romeu amava todas as mulheres sem excessão.
E era amado por todas.
Não tinha uma mulher que não dormisse com Romeu que não saísse sorrindo no outro dia.

- Romeu era o cara -

Mas um dia Romeu cansou dessa vida.
O dia em que ele conheceu Lara.
Lara virou sua cabeça e tomou seu coração.
Ele só pensava nela.
E por isso dispensou Sônia uma morena daquelas, Marta uma loira de parar o trânsito, Paula que tinha uma fogueira no corpo e tantas outras que babavam por ele.
Romeu não as queria.
Só tinha olhos para Lara que não era do tipo capa do mês, mas tinha lá seus atributos.
Por Lara Romeu faria qualquer coisa e até se agarrou com tudo que é santo.
Mas Lara não o queria.
Certo dia Romeu a viu com um cara aos beijos.
Foi o dia que Romeu perdeu a cabeça.
Foi pro samba, bebeu, dançou, chorou, sorriu, saiu e sumiu.
E o mundo ficou, sem o nêgo Romeu.

¹ - o titulo faz alusão a uma musica de uma banda pernambucana chamada Negroove, a música tem o titulo Nego Romeu.

* Dedico esse texto a todos os devoradores de mulheres, talvez o destino seja o mesmo de Romeu.

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Movimento entre Blogs – Vale a pena ler de novo


1 - Qualquer blog convocado pode participar.


2 - O blogueiro que participar deve escolher um de seus textos (de sua autoria) que você mais gostou
(sabe? aquele que quando você acabou de postar você disse para si mesmo: eu estou inspirado hoje!),
e então republicá-lo, podendo trocar foto, modificá-lo de algum jeito.


3 - Escrever a frase: ‘Movimento – Vale a pena ler de novo’ no final do texto, só para identificar como participante juntamente a essas regras.


4 - Convoque mais 5 blogs para esse movimento colocando os links deles no seu post republicado.


5 - Se você foi convocado mais de uma vez, se quiser, republique mais algum que você goste.


Criado pelo blog: A ótica de um míope.

Convoco os seguintes blogs:

LisUpgrade
Café com Creme
Devaneio Abissal
Menina Lunar
Conversa de Terapeuta

sábado, 11 de agosto de 2007

Sem título, sem sonhos, sem nada.

Acordou, lavou o rosto, deixou novamente para amanhã a árdua tarefa de fazer a barba. Tomou um banho, pegou aquele jeans desbotado e a velha camisa com os dizeres revolução. Vestiu-se, pegou o maço de cigarros, as chaves, trancou a porta e saiu.

Andou até a parada de ônibus, parou e esperou, o ônibus veio, muitos subiram, ele também. Logo desceu. Mesmo com todas as janelas abertas ainda assim se sentiu sufocado, decidiu continuar o percurso a pé.

Desceu do ônibus, acendeu um cigarro, deu um trago e veio a sensação de paz.

E lá ia ele.

Uma das mãos no bolso, o cabelo preto desarrumado como prova de que não havia sido penteado, talvez por falta de tempo, talvez por ter sentido saudade dos velhos tempos, a calça desbotada e blusa velha, ninguém notava mais.

O cigarro já estava perto do fim, pensou em acender outro mas continuou a andar. Seu caminho era sempre em frente até chegar a algum lugar que era este o seu destino, seu mesmo destino nos últimos dez anos.

Atravessando a rua, a brisa que vinha do mar roçou a sua barba levemente e voltou sua atenção para o lado, quando o que devia fazer era seguir em frente. Em frente chegaria a velha selva de pedra, que antigamente ainda tinha um pedaço de verde que era natural. Dobrando na rua em que sentira a brisa chegaria a um lugar que há muito tempo ia diariamente.

Decidiu dobrar na rua.

A cada passo que dava ia de encontro a brisa que estava ficando cada vez mais forte, e no meio do caminho enquanto as lembranças se intensificavam comprou uma garrafa de vinho, talvez tão velho quanto ele, talvez apenas um vinho barato.

E a cada passo que ele dava as cores das árvores e das calçadas iam mudando suavemente, assumindo os tons amarelos do passado, e os rostos das pessoas que passavam se transformavam no rosto das pessoas que passaram por ali naquele mesmo dia a alguns anos.

E um velhinho que estava sentado na calçada ainda era o mesmo tendo apenas remoçado os anos que se passaram, e ele sorriu, o tempo passou, o tempo voltou e o velhinho continuava ali.

Ao passar pelo velhinho sorriu e recebeu um sorriso de reconhecimento em troca.

Continuou a andar, a garrafa de vinho estava agora na metade. Passando em frente a vitrina de uma loja viu que seu jeans estava de um azul vivo, e sua blusa estava nova e o dizer que estava estampado nela pulsavam fortes no seu coração.

E veio uma louca vontade de correr, correu, chegou até a praia, e foi naquela mesma areia que um dia tinham se reunido grandes mentes ou talvez alguns garotos com vontade de mudar o mundo.

Nunca mais vira esses garotos ou até mesmo os homens andróides que tinham se transformado com suas roupas da moda, mulheres de capa de revista e carros do ano.

Agora estavam novamente todos ali, mesmo em tons do passado. Ele sorria e já não se sentia mais tão velho assim.

Voltou para a selva de pedra, e em cima de um banco de uma praça movimentada começou a falar, e muitos que viam de fora o julgavam louco ou bêbado, ou talvez louco e bêbado. Mas quem teve a oportunidade de ver de dentro sentia uma grande vontade de a ele se juntar, subir naquele banco e gritar para todo mundo ouvir e quem sabe assim o mundo entendesse e voltasse a girar no eixo certo.

O dia passou, a tarde passou, a euforia passou e a noite veio.

Trazendo com ela o medo e a sensação de fracasso. Pegou um ônibus qualquer, sentou-se na última cadeira, voltou pra casa.

No banheiro chorou sozinho de baixo de uma água fria como pedra. Saindo do banho colocou na vitrola um LP de que gostava.

Caiu na cama ouvindo sua música preferida, logo adormeceu e no seu sonho o mundo tinha mudado, estava "bom" e ele então estava feliz.

A sua convicção de que o sonho era verdade foi tão forte que no sonho mesmo ele ficou, fazendo isso nunca mais acordou.

Pegou no sono antes de ouvir o seguinte trecho da sua música predileta:

"Hey como eu ia saber que os meus olhos enxergavam no escuro
Hey não me pressione você não vê que eu não sou culpado
Já faz tempo agora que o último revolucionário se foi
Mas quem sabe se você não vai ser o próximo
A dar continuidade a história"

Não, agora ele não sabia mais se ele teria sido o próximo, mas é certo que o mundo sentiu falta dele sem saber.


sábado, 28 de julho de 2007

Motivos e prêmios no Café.

A Menina Lunar me repassou o meme:

- Porque ou pra que ter um blog?

E aqui estou eu a responder.

Motivo certo, acho que ninguém tem.
Mas eu tenho algumas possibilidades de motivos.

Ai vão elas:

O - Escrevo porque assim posso compartilhar com o mundo um pouco do meu universo interior que é muito grande e por vezes me foge do controle.
O - Escrevo para dar a quem me lê a oportunidade de por pelo menos um segundo sair do mundo habitual e nas linhas de uma tela ou de um papel poder viajar.
O - Escrevo, pois somente isso sei fazer, e quem sabe assim não poderei construir um mundo melhor.
O - Escrevo por vezes para fugir, dessa realidade que me cerca e me sufoca a cada dia mais.

Eu queria poder dar respostas melhores, mas hoje não me é um dia bom.

Enfim.

Minhas indicações para o meme de Porque ou para que ter um blog são:

O - Milah do blog Prosa Perdida.
O - Gabi do blog Confissões Involuntárias.
O - Gracy do blog Mapa do Meu Nada.
O - Jennifer do blog Subindo no Telhado.

.

Agora vamos aos prêmios!

[sorriso]

Fui indicada pela Menina Lunar e pelo César ao prêmio:



Vide regulamento no blog Nada Pra Mim

Meus indicados são:

- Menina Lunar.
- Cozinha.
- Lis Upgrade.
- Namastê.
- O Circo.

Agradeço ao César e a Menina Lunar por me indicarem ao prêmio.
Agradeço a todos que freqüentam o Café na Porta e aqui deixam um pouco de si.

Au Revoir.

Menina do Reggae® - Lua Durand.
Recife, 28 de Julho de 2007.


quinta-feira, 19 de julho de 2007

As incríveis aventuras de João Ninguém.

Começou.
Não se sabe ao certo se foi aqui ou acolá, o certo é que a vida de João começou e foi assim:

Em algum lugar não muito distante de qualquer outro lugar havia uma casa verde e nela morava uma espécie de flor que era até um pouco rara e não se sabe se por banalidade ou por ser um paradoxo, a espécie de flor em questão se chamava Flora.

Flora que foi mãe de João.

Em uma manhã de sol, que também chovia, uma manhã de domingo.

Domingo, primeiro de Abril de um ano não especificado, nasceu João.

Que nasceu diferente de todo mundo, ou diferente de outros João. Esse não tinha um pé de feijão, nem era irmão de Maria, mas era filho de Flora, era isso que ele sabia.

João nunca falou uma palavra, mas não era porque ele não sabia. Era porque ele não via necessidade de falar com pessoas que não o entendiam, mas tudo mudou um certo dia.
Ele era profissional em viver sem ser notado, tanto que ninguém notou quando ele foi embora para nunca mais voltar.
Mas para muitos, isso tanto fazia.

E para Flora a vida continuou.

Naquela casa verde.
Naquela mesma rede.
Onde João nasceu um dia.

E João se foi, não para o céu pois ainda era cedo, mas ele se foi para ver o que tanto escutava as pessoas falarem, ele se foi, para o futuro.

Quando João se foi, ele não era mais Joãozinho mas também não era João, não ainda, não agora.

E ele se foi, com sua pele clara e sua calça escura, ou talvez sua calça clara e sua pele escura.
Não se sabe ao certo, mas é certo que ele foi.

-

A partir de agora serão escritas as incríveis aventuras de João Ninguém que tiveram origem da poesia que escrevi um certo dia
A incrível estória de João Ninguém.


terça-feira, 17 de julho de 2007

Sombras, reflexos e reflexões.


Quando criança sempre fora sozinho.
Até o dia em que quando voltava da escola percebeu que alguém o seguia, aparentemente um garoto e que dependendo do ângulo de visão podia ser maior ou menor que ele.
Correu, até não aguentar mais.
E quando virou, viu que ainda assim não estava sozinho, o outro estava ali, tão ofegante quanto ele.
Sorriu, sentou, conversaram.
Descobriram um no outro grandes amigos.
E foram, amigos de farra, amigos de aula, amigos de alma.
O primeiro era o espelho do segundo.
O segundo era a sombra do primeiro.

De inicio não acreditou.
Depois era tarde de mais.
O segundo conseguiu o que sempre quis.
- Os amigos, os sonhos, amores e no fim também a solidão.
O primeiro nunca mais voltou.
- Foi embora e fechou a porta, a porta do segundo em seu coração.


-

Texto em resposta a pergunta que me foi feita por Abel, no blog Devaneio Abissal.


sexta-feira, 13 de julho de 2007

Samba, circo e solidão.

Ela chegou ao fim da linha.
Dela não conseguiu passar, também não queria voltar, resolveu apenas esperar.
Puxou uma cadeira de uma mesa imaginaria, sentou-se.
Instantaneamente uma música de fundo começou a tocar, ela reconheceu o samba que seu avô lhe cantava quando pequena.
Um sorriso brotou-lhe nos lábios, e como se estivesse vendo da platéia de um circo, no picadeiro o espetáculo estava prestes a começar.
E começou.
Como quem chega sem ser convidado numa festa lá estava ele, o passado, que se mostrava ao mesmo tempo pavoroso e encantador.
Ela não sabia quanto tempo havia passado ali, mas era certo que já era tarde.
Mergulhada em seu próprio espetáculo se assustou ao sentir algo a tocar seu ombro e ao olhar para trás se deu conta de que estava olhando pra frente, o futuro lhe chamava a um passeio, notou que o fim da linha era agora o começo.

.

- Olá.
- Au Revoir.

- Espera.
- Estou atrasada!

- Me espera?
- Não posso.

- Tem certeza?
- Não sei.

- Hesitou.
- Acertei.

- Procurou?
- Encontrei.

- Esqueceu?
- Tentou?

- Café?
- Sem açúcar, por favor.

- [Ele sorriu].
- [Ela também].

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Au Revoir.

"Já é tarde amor
O último bar fechou as portas
Te levo pra casa, te coloco na cama
Um beijo na testa, um sorriso talvez
Vou embora, fecho a porta
A porta do teu amor no meu coração também
Ao acordar terá um bilhete de baixo de uma xícara de café
Com os dizeres: "Não me espere, não volto mais.
Au Revoir "

Já é tarde amor
Fingi que não vi você fechando a minha porta.
Fico rolando na cama até conseguir esquecer
Dormir, um sonho talvez
Vai embora, não quero mais esse cinismo, falso amor
Quando saíres terás um bilhete no bolso com os dizeres:
"Não me espere, não volto atrás.
Au revoir"


*
Texto em conjunto com minha companheira de aulas, músicas [cantando], sorrisos, shows de mula manca, devedora atual de baton's garoto e outras coisitas mais. =P

Companheira = Milah Albuquerque
Blog dela: Prosa Perdida
http://www.prosaperdida.blogspot.com - passem l
á, vale a pena.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Rayos de sol no mundo de Ninguém.

Era uma vez [toda estória que começa com era uma vez tem final feliz, não sei se essa vai ter, pois o final não sou eu quem vai escrever.]
Era uma vez, em um lugar nem tão distante de qualquer outro lugar, um garoto que se chamava João, João Ninguém.
João vivia isolado no seu mundo particular o qual só ele entendia, ninguém notava João e/ou podia ver o seu mundo.
Certo dia andando por ai ele viu um Rayo* de sol. O primeiro da manhã.
Certo dia andando por ai, ela o viu.
Passou, olhou e sorriu.
E foi ela quem pôs as primeiras cores no mundo preto e branco de Ninguém.
Ele sorria agora como jamais sorrira um dia.
E por falar em dia, em um certo enquanto do alto de uma montanha ele se despedia do primeiro Rayo da manhã [por do sol], ele soltou no ar palavras que demonstravam o seu apreço.
Ela ouviu, sorriu e foi embora prometendo voltar no outro dia.
Ela se foi, ele não foi.
Ele não dormiu, esperando ela voltar.
[O fim da história não posso escrever, eu não estava lá para saber o que o primeiro Rayo da manhã falou, eu só vi João Ninguém oscilando entre as lágrimas, o medo e o sorriso.]

-

* o y no Rayo é proposital.
* Primeiro Raio da manhã, é o significado do nome Rayana.

A estória/história ainda não acabou.

Por favor me contem o final, eu não posso fantasia-lo.
.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Nas rodas do meu coração.

Meu coração brincou de roleta russa.
Rodou, rodou e continua rodando.
Não sei se vai parar em algum lugar
Ou quem vai ficar e ocupar o vácuo
Que a velocidade de rotação provocou
Mas é certo que se um dia ele parar
É o começo do meu fim, enfim.

domingo, 17 de junho de 2007

Parada obrigatória em um dia qualquer.

Ela seguiu por um corredor escuro.
Uma, duas, três portas, direita, esquerda, esquerda direita.
Girou a maçaneta: - Trancada!
Tentou, empurrou, bateu.
Ninguém veio abrir.
Na plaquinha afixada na porta lia-se:

- Infância. -

Essa palavra lhe causou sensações, boas e ruins, então ela sorriu, começando a recordar essa sua fase.
Ainda parada frente a porta, porém tomada pelas lembranças, não se deu conta de que a porta havia sumido e frente a ela estava parada uma menina bem menor que ela, os cabelos lisos caindo no rosto, uma camisa listrada contrastando o branco com o azul marinho e uma bermudinha, lembrava-se bem daquela roupa, e um pouco daquela menina.
A menina sorrindo estendeu-lhe a mão, mesmo sem dizer uma palavra, estava convidando-a a passear. Ela retribuiu o sorriso e pegou na mão da menina que foi logo lhe puxando e guiando-a pela sala iluminada que se chamava infância.
A menina então começou a correr e ela como estava sendo puxada corria também.
Pararam na frente de um sofá, daqueles tipo "tamanho família" e a menina fez menção de sentar.
Sentaram.
A frente delas só se via claridade, mas foi ai que ela percebeu que o "filme" ia começar.
A menina se aninhou em seu colo demonstrando uma grande carência.
Ela acomodou a menina e a sala foi ficando escura, até não poder se ver mais nada.
Então começou, trazendo nas imagens lembranças e momentos reais, ela se emocionou inúmeras vezes, sorriu mais ainda, refletiu, percebeu, viveu por um momento tudo novamente.
E assim como começou, de repente acabou, e a menina que pegara no sono no meio do filme, não foi acordada quando ela se levantou, ajeitou-a no sofá, saiu sem fazer barulho, se certificou de ter deixado a porta da sala entreaberta para sempre que der poder voltar.
Depois dessa visita, ela nunca mais foi a mesma.
A menina acordou e não a viu por perto, apenas sorriu e foi brincar.

E você, já fez uma visita a si mesmo hoje?

domingo, 10 de junho de 2007

A incrível estória de João Ninguém.

Todo mundo acredita em Deus.
João não.
Todo mundo assiste televisão.
João não.
Todo mundo queria alguém no mundo para amar.
João não.
João na verdade não tinha nada, tirando o fato de ter nascido no dia 01 de abril.

- João não era nada. -

João de Flora.
João de fora.
De fora da sociedade.
João não tinha casa.
João não tinha emprego.
João não tinha namorada.
João não era nada.
Ou era, Joãozinho, depois João, depois seu João, depois nada.

- R.I.P.-
João Ninguém.
♥ 01/04/****
† 01/04/2007
- [...] -

sábado, 26 de maio de 2007

Nêgo Romeu¹.

Romeu queria o mundo.
Romeu amava todas as mulheres sem excessão.
E era amado por todas.
Não tinha uma mulher que não dormisse com Romeu que não saísse sorrindo no outro dia.

- Romeu era o cara -

Mas um dia Romeu cansou dessa vida.
O dia em que ele conheceu Lara.
Lara virou sua cabeça e tomou seu coração.
Ele só pensava nela.
E por isso dispensou Sônia uma morena daquelas, Marta uma loira de parar o trânsito, Paula que tinha uma fogueira no corpo e tantas outras que babavam por ele.
Romeu não as queria.
Só tinha olhos para Lara que não era do tipo capa do mês, mas tinha lá seus atributos.
Por Lara Romeu faria qualquer coisa e até se agarrou com tudo que é santo.
Mas Lara não o queria.
Certo dia Romeu a viu com um cara aos beijos.
Foi o dia que Romeu perdeu a cabeça.
Foi pro samba, bebeu, dançou, chorou, sorriu, saiu e sumiu.
E o mundo ficou, sem o nêgo Romeu.

¹ - o titulo faz alusão a uma musica de uma banda pernambucana chamada Negroove, a música tem o titulo Nego Romeu.

* Dedico esse texto a todos os devoradores de mulheres, talvez o destino seja o mesmo de Romeu.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

O circo chegou.

É essa semana passou
Mas passou bem devagar
Enfim o domingo chegou
Mas dessa vez me veio
Um sorriso e um brilho no olhar
Novamente vi um redemoinho
E me deu vontade de dentro dele dançar
Girando com as folhas secas e sentindo um perfume no ar
E a vida vai passando
E talvez eu não esteja vendo-a passar
Mas isso no momento não me importa
Pois pelo menos por um dia
Eu vi meu menino poder voltar a sonhar
Nos seus olhos havia um mundo
Diferente do que ele aprendeu a aceitar
Havia um mundo com vozes e cores
Palhaços e flores
Bonecas e amores
E fantasia no ar
E eu que dançava no redemoinho
Quem me via queria entrar
E juntos dançamos uma ciranda
E pelo menos por um dia
Esquecemos do nosso mundo habitual
Podemos então, voltar a sonhar
Eu, aquele menino, e o Recife também.

Domingo, 20 de Maio de 2007
Recife - Pernambuco

sexta-feira, 18 de maio de 2007

domingo, 13 de maio de 2007

No silêncio.

Como em um protesto, na frente de um evento de cinema, apoiada numa árvore, uma tela exibia o que quem estava no evento não queria ver, talvez por ser a realidade, nua e crua, talvez por ser a vaidade que a midia esqueceu de pregar.
E no meio de tudo isso, um menino sentado no meio fio, com a cabeça apoiada nas mãos, um menino franzino, sozinho, que fazia jus a cena dos excluídos, um menino perdido, quem sabe como você.
E nessa sociedade que só tem espaço para o que é bonito, com um padrão que não fomos nós que inventamos, ou mantemos a "imagem" a todo custo ou somos expulsos desse grande grupo.
Somos marginais, eu, aquele menino, e quem participava daquele protesto, saibam que em parte ou até quem sabe totalmente, é bom ser marginal, viver as margens da sociedade, ou fora dela, essa sociedade mesquinha, fruto de um capitalismo selvagem, onde o preconceito vem desde suas raízes.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Personalidade, cada um tem a sua?

Bem que eu queria dizer que sim, mas como diz a frase que está logo abaixo desse post:

"nascemos originais e nos tornamos cópias."

eu ouvi essa frase sentada a beira de um lago sob a chuva vendo tartarugas nadar.
Eu não sabia que ali, naquele exato momento, minha vida mudaria completamente.
Bem isso é assunto para outros textos.

Voltando, um, dois, já.

As pessoas perderam sua identidade, quem dera que fosse simples como ter perdido a carteira no trem ou esquecido em algum lugar, talvez tenham esquecido sim, num passado distante.
A caixa mágica, embora não assuma, tem uma grande parcela de culpa nisso.
Lançar/ditar moda¹ se tornou quase igual a criar papagaios.

"Vai "loro" repete comigo:

- Pa-ra-le-le-pi-pe-do.

[...]

Depois de muitas tentativas o cara desiste e fala um palavrão, instantaneamente o papagaio repete o palavrão."

Somos bombardeados de todos os lados com uma porção de informações e cabe a nós distinguirmos o que será bom, no sentido de acrescentar algo positivo, para nós ou não.
Engraçado como depois que a caixa mágica se tornou pop muitos tabus foram quebrados.

"e o futuro não é mais como era antigamente."
Já dizia a legião urbana com sua música Índios.

Será que ainda existem chances?
Continuarei acreditando que sim.
Por mais que você seja original no fim é apenas uma copia.
Mas você só vai saber o quanto é ruim quando alguém começar a te imitar.
E isso tudo é a Babilônia.
Quanto mais eu penso, mas sinto vontade de pensar e no fim, o fim será uma exclamação!

- Ou uma interrogação? -

¹ - não entenda moda apenas como estilo de roupa, o sentido em que está empregado a palavra vai muito alem, abrangendo desde o modo como você escova os dentes até o jeito como penteia o cabelo.

Não perca o tempo, pare ele.

É incrível como o tempo está passando tão rápido.
Parece que foi ontem que eu cheguei em casa e como faço todos os dias liguei a TV e ela me mostrou uma imagem impressionante:

- Um avião entrando dentro de um prédio.

E uma catástrofe que abalaria a base do dono do mundo, os EUA.
É, também parece que foi ontem que estava toda a família reunida na casa de "voinha" assistindo a final da copa do mundo de 1994 e Taffarel que ainda teve seu trabalho poupado quando nos penaltis o jogador italiano Roberto Baggio chutou a gol e a bola foi "pra galera".
Eu lembro bem desse dia, apesar de ter apenas três para quatro anos, estava chovendo e quando o Brasil foi anunciado campeão eu e meus primos corremos pro quintal e começamos a pular e gritar na chuva:

Tetra!!!"

E me parece que ao acordar no outro dia, já era a final de outra copa do mundo, agora a de 2006 estrelando novamente Brasil e Itália.
Só que dessa vez não gritaríamos mais:

"Vai que é tua taffarel!"

E o Brasil não levou o hexa.
E 12 anos passaram como num piscar de olhos, e o mundo não parou de girar, parece até que girou cada vez mais rápido.

E como disse Lenine:

"o mundo vai girando cada vez mais veloz, a gente espera do mundo e o mundo espera de nós..."

E quem diria, estamos no século XXI, talvez não cheguemos ao próximo século, já existe a bomba de hidrogênio, e a qualquer momento a humanidade poderá ser varrida da face da terra, e o que vai ficar?

Talvez as baratas sobrevivam.

Mas tudo isso não importa agora, pois o que me chama a atenção é o tempo.
Enquanto eu estou aqui escrevendo, tem muita coisa acontecendo lá fora, tem gente morrendo, nascendo, sorrindo, chorando, amando, gritando, vivendo, sonhando, mudando o mundo.
E talvez quando a noite chegar, e o sono pesar sobre os meus olhos e a cabeça no travesseiro eu deitar, a noite apesar de ser uma criança, terá seu crescimento acelerado e quando o sol chegar a beijar meu rosto e eu abrir os olhos posso estar no ano 2075, aparentando ter 20 anos devido aos avanços tecnológicos e tudo estará diferente. A água vai ter acabado no planeta, assim como o petróleo e viveremos em cápsulas, e teremos amigos que moram em outros planetas.

Então, segura esse tempo se não ele voa.

A saga dos anjos caídos.

Talvez por descaso dos pais, ou quem sabe por necessidade da família, as crianças brasileiras estão perdendo o direito de viver uma das fases primordiais na formação intelectual e de carater de uma pessoa, a infância.

Cada vez mais trocam a escola por trabalho para ajudar ou até mesmo sustentar sua família. Situação que fica evidenciada nas palavras do cantor e compositor Lenine com a música relampiano:

"Tá relampiano cadê nenem? Tá vendendo drops no sinal..."

E quando faltam os drops para vender no sinal, muitas vendem até mesmo o próprio corpo nas ruas escuras das grandes cidades brasileiras. Outras tantas quando não acham sua vaga no sinal e com o descaso crescente tanto dos pais quanto da sociedade se vêem impulsionadas a entrar em um novo mundo, o mundo do crime.

Juntos, os nossos pequenos anjos caídos se tornam, com sua força proveniente do seu corpo frágil, o ponto de apoio o qual toda uma sociedade se sustenta. E assim eles seguem como personagens principais de uma novela que aparentemente está longe de acabar.

* Esse texto foi minha redação no simulado de segunda fase da federal no cursinho.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Todo dia ela FAZIA tudo sempre igual.

Sinto saudades do tempo em que eu era feliz e não sabia.
O tempo em que de dia eu cantava despreocupada músicas de Legião Urbana com uma figura de apelido Búa.

"Somos tão jovens"

As vezes nem tanto.
Me sinto como uma velha cansada e ranzinza. Daquelas que já viveram uma vida toda e as vezes acham que sabem de tudo, as vezes descobrem que não sabem de nada.
Será que eu sou mesmo uma velha? Ou os adultos que estão regredindo?
Juro que não sei.
Mas ao chegar em casa e presenciar algumas cenas, eu me pergunto o que estará acontecendo, será que a televisão concretizou seus planos e fez uma lavagem cerebral na cabeça dos adultos? Ou isso é uma forma tardia de viverem a infância que muitas vezes lhe fora reprimida?
E de repente tudo emudece, os pássaros, a TV. você.
E minha voz ecoa pelo meu inconsciente, tudo passa em preto e branco, e camera lenta.
Sigo em direção a janela aberta, a única coisa que continuava no ritmo normal ou talvez até acelerado era o meu coração, que batia apertado.
A janela aberta, meus pés no parapeito, braços abertos, um impulso.

- Ela não é mais a mesma. -

Seu último desejo infantil se torna realidade, o desejo de voar.
Liberta-se da infância e de uma fase adulta que nunca chegará a ver, mas é sim, talvez alguém que se vai, mais madura que seus próprios pais.

E enquanto "voa" sente o vento afagar-lhe os cabelos, e ao fechar os olhos descobre que era feliz e não sabia, no tempo em que despreocupada, no meio de uma aula de história ou biologia, entoava algumas canções com seu amigo Búa.

E como suas ultimas palavras lhe vem aos lábios:

- Não olhe pra trás, estamos apenas começando, o mundo começa agora, estamos apenas começando.

E para quem já ouviu essa música na versão do CD como é que se diz eu te amo vol.2, fazendo minhas as palavras de Renato Russo.

- Obrigado, Boa noite.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Acho que vou morrer.

Morrer de tédio, só se for.
Tédio de ver grandes grupos fazendo tudo igual.
Sendo manipulados pela filosofia barata de compra que a midia prega para as diferentes tribos.
Tem gosto pra tudo. Mas tem muito mais doido pra tudo.
Principalmente para seguir o que vêem na TV.
Temos: Meninos e meninas que seguem piamente as tendências que a malhação e outras novelinhas juvenis mostram no seu horário de vitrine comercial.
A expressão "estar por dentro" ganhou novo significado nos tempos atuais, ou seja para você estar por dentro no mundo jovem atual basta usar roupas de marca, tênis de comercial, celular de ultima geração e toda uma serie de parafernalia eletrônica que vem alienando cada vez mais os jovens.
Se estar por dentro significa o citado a cima, estar por fora é tudo o contrário de estar por dentro e mais um pouco, ou seja, ter opnião própria, ideias na cabeça, vontade de mudar o mundo, formação intelectual e consciência de cidadania e politica.
Se estar por fora é isso, me desculpem meus companheiros de fase [juventude].
Eu tenho orgulho de falar que estou por fora.

sexta-feira, 16 de março de 2007

Somos JOVENS e daí?

E daí que temos tudo aos nossos pés, temos o mundo inteiro pela frente, temos liberdade de expressão, e ainda pensamos em desistir.
É, nós somos da geração que não se contenta com pouco, que quer sempre mais, que abre a boca para expor suas ideias, das quais muitas são revolucionarias, outras tantas são idiotas, mas todas são plausíveis.
Infelizmente chegamos a era do somente falar, os jovens estão se acomodando, os adultos perderam muitos de seus sonhos, e os idosos, alguns nem sonham mais, e quem cuida de todos?
Se temos tantas ideias, porque não pôr-las em prática? Porque nós nos acomodamos tanto? Não dá pra ser assim.
Somos jovens meu bem, e isso é passageiro, aproveite a vida, faça um passeio, escreva um livro, beba tequila, dance uma música, pule um muro, embale seus sonhos, faça-os crescer.

"A vida é bem mais do que parece, não se pode parar."
- A. L. Durand -

quinta-feira, 15 de março de 2007

Sua querida bola Nike.

Estamos bem perto da barbárie. Somos movidos por ela. A ganância. Queremos sempre mais, e os outros que se explodam. Você já parou pra pensar quem costurou a sua bola Nike da pelada do domingo? Nunca reparou nos dizeres que tem na embalagem?


- FEITO A MÃO. -

Bem é claro que eles não colocam assim em letras garrafais, muito provavelmente é uma frasesinha no fim da embalagem.
Mas, você sabe quais foras as mãos que a costuraram? Não? Pois devia saber um pouco mais da história da sua querida bola Nike.
São as mãos de quem passou de usuário para fabricante, meninos que procuram nisso um forma de ajudar ou até mesmo sustentar a renda da sua casa.
Meninos apenas meninos. Sem mãos, sem dedos, sem sonhos, sem nada. A agulha usada para costurar essa tal bola perto da mão desses meninos parecem mais espadas afiadissimas, um corte e pode ser fatal. Em muitos lugares que se fabricam as bolas quando um menino se corta, os mais velhos do local com um machado ou ferramenta similar cortam o dedo na falange livrando assim o garoto de ter uma ferida infeccionada o que em poucos dias pode levar-lo a morte.
A cada dedo perdido vai também um sonho, e o que fica? Cadê o menino que devia estar brincando, sonhando, pulando, vivendo. Foi escravizado meu bem, isso é triste. É de vida.

Acho que chegamos realmente a era da barbárie.

Notas:

- No texto, não condeno quem adquire ou usa o produto da citada marca, apenas mostro a mão de obra que o faz.
- Eles cortam logo o dedo, justamente por não possuir medicamentos que curem a ferida, e se não cortar, a ferida pode levar a gangrenação e pode evoluir para um quadro fatal.
- Os meninos em questão são oriundos de países pobres da África, e de outros lugares onde a Nike mantem suas fábricas globais.

domingo, 11 de março de 2007

Com tanta coisa nova por ai, aparece mais eu.

"Ah, pera só um minutinho, deixa eu terminar de me arrumar."
"Pronto, pronto..."
- pausa pro almoço. -
"Já volto."
"Voltei."

* Com tanta coisa boa pela net, lá vem eu nos caminhos incertos das palavras, tentar a sorte nessa grande rede. *

Difícil.
De mais.
O que escrever?
Não sei.
Sou poeta meu bem.
Poetas são bobos.
Poetas são loucos.
São poetas.

Eu quero falar do mundo, quero falar dos pássaros, quero falar das flores, quero falar de você.
Somos efémeros e daí. Levamos connosco a força do mundo. Você é a sua base, você é o seu espelho, não me culpe por ser dona de palavras sem nexo, se não gosta, faça melhor, me desafie, e eu te escrevo um poema, daqueles bem poemas, me elogie e eu não escrevo mais.
Não vim ao mundo querendo reconhecimento pessoal, não quero ser reconhecida pelo que sou, mas sim pelo que faço. Sou daquelas que tem planos de mudar o mundo, não posso me dar ao luxo de me acomodar. Como podem ver pelo teor desse primeiro post sou um pouco egocêntrica, mas quem não é, meu egocentrismo é essa mania que tenho de falar em primeira pessoa. Isso eu acho um defeito que tenho, mas o que fazer, não sei!

Bem, esse primeiro post é só de apresentação.

Ninguém vai ler mesmo.

Do mesmo jeito que vim, me despeço agora, antes que seja tarde de mais.

- Pois é. -