sábado, 26 de maio de 2007

Nêgo Romeu¹.

Romeu queria o mundo.
Romeu amava todas as mulheres sem excessão.
E era amado por todas.
Não tinha uma mulher que não dormisse com Romeu que não saísse sorrindo no outro dia.

- Romeu era o cara -

Mas um dia Romeu cansou dessa vida.
O dia em que ele conheceu Lara.
Lara virou sua cabeça e tomou seu coração.
Ele só pensava nela.
E por isso dispensou Sônia uma morena daquelas, Marta uma loira de parar o trânsito, Paula que tinha uma fogueira no corpo e tantas outras que babavam por ele.
Romeu não as queria.
Só tinha olhos para Lara que não era do tipo capa do mês, mas tinha lá seus atributos.
Por Lara Romeu faria qualquer coisa e até se agarrou com tudo que é santo.
Mas Lara não o queria.
Certo dia Romeu a viu com um cara aos beijos.
Foi o dia que Romeu perdeu a cabeça.
Foi pro samba, bebeu, dançou, chorou, sorriu, saiu e sumiu.
E o mundo ficou, sem o nêgo Romeu.

¹ - o titulo faz alusão a uma musica de uma banda pernambucana chamada Negroove, a música tem o titulo Nego Romeu.

* Dedico esse texto a todos os devoradores de mulheres, talvez o destino seja o mesmo de Romeu.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

O circo chegou.

É essa semana passou
Mas passou bem devagar
Enfim o domingo chegou
Mas dessa vez me veio
Um sorriso e um brilho no olhar
Novamente vi um redemoinho
E me deu vontade de dentro dele dançar
Girando com as folhas secas e sentindo um perfume no ar
E a vida vai passando
E talvez eu não esteja vendo-a passar
Mas isso no momento não me importa
Pois pelo menos por um dia
Eu vi meu menino poder voltar a sonhar
Nos seus olhos havia um mundo
Diferente do que ele aprendeu a aceitar
Havia um mundo com vozes e cores
Palhaços e flores
Bonecas e amores
E fantasia no ar
E eu que dançava no redemoinho
Quem me via queria entrar
E juntos dançamos uma ciranda
E pelo menos por um dia
Esquecemos do nosso mundo habitual
Podemos então, voltar a sonhar
Eu, aquele menino, e o Recife também.

Domingo, 20 de Maio de 2007
Recife - Pernambuco

sexta-feira, 18 de maio de 2007

domingo, 13 de maio de 2007

No silêncio.

Como em um protesto, na frente de um evento de cinema, apoiada numa árvore, uma tela exibia o que quem estava no evento não queria ver, talvez por ser a realidade, nua e crua, talvez por ser a vaidade que a midia esqueceu de pregar.
E no meio de tudo isso, um menino sentado no meio fio, com a cabeça apoiada nas mãos, um menino franzino, sozinho, que fazia jus a cena dos excluídos, um menino perdido, quem sabe como você.
E nessa sociedade que só tem espaço para o que é bonito, com um padrão que não fomos nós que inventamos, ou mantemos a "imagem" a todo custo ou somos expulsos desse grande grupo.
Somos marginais, eu, aquele menino, e quem participava daquele protesto, saibam que em parte ou até quem sabe totalmente, é bom ser marginal, viver as margens da sociedade, ou fora dela, essa sociedade mesquinha, fruto de um capitalismo selvagem, onde o preconceito vem desde suas raízes.