quarta-feira, 20 de junho de 2007

Nas rodas do meu coração.

Meu coração brincou de roleta russa.
Rodou, rodou e continua rodando.
Não sei se vai parar em algum lugar
Ou quem vai ficar e ocupar o vácuo
Que a velocidade de rotação provocou
Mas é certo que se um dia ele parar
É o começo do meu fim, enfim.

domingo, 17 de junho de 2007

Parada obrigatória em um dia qualquer.

Ela seguiu por um corredor escuro.
Uma, duas, três portas, direita, esquerda, esquerda direita.
Girou a maçaneta: - Trancada!
Tentou, empurrou, bateu.
Ninguém veio abrir.
Na plaquinha afixada na porta lia-se:

- Infância. -

Essa palavra lhe causou sensações, boas e ruins, então ela sorriu, começando a recordar essa sua fase.
Ainda parada frente a porta, porém tomada pelas lembranças, não se deu conta de que a porta havia sumido e frente a ela estava parada uma menina bem menor que ela, os cabelos lisos caindo no rosto, uma camisa listrada contrastando o branco com o azul marinho e uma bermudinha, lembrava-se bem daquela roupa, e um pouco daquela menina.
A menina sorrindo estendeu-lhe a mão, mesmo sem dizer uma palavra, estava convidando-a a passear. Ela retribuiu o sorriso e pegou na mão da menina que foi logo lhe puxando e guiando-a pela sala iluminada que se chamava infância.
A menina então começou a correr e ela como estava sendo puxada corria também.
Pararam na frente de um sofá, daqueles tipo "tamanho família" e a menina fez menção de sentar.
Sentaram.
A frente delas só se via claridade, mas foi ai que ela percebeu que o "filme" ia começar.
A menina se aninhou em seu colo demonstrando uma grande carência.
Ela acomodou a menina e a sala foi ficando escura, até não poder se ver mais nada.
Então começou, trazendo nas imagens lembranças e momentos reais, ela se emocionou inúmeras vezes, sorriu mais ainda, refletiu, percebeu, viveu por um momento tudo novamente.
E assim como começou, de repente acabou, e a menina que pegara no sono no meio do filme, não foi acordada quando ela se levantou, ajeitou-a no sofá, saiu sem fazer barulho, se certificou de ter deixado a porta da sala entreaberta para sempre que der poder voltar.
Depois dessa visita, ela nunca mais foi a mesma.
A menina acordou e não a viu por perto, apenas sorriu e foi brincar.

E você, já fez uma visita a si mesmo hoje?

domingo, 10 de junho de 2007

A incrível estória de João Ninguém.

Todo mundo acredita em Deus.
João não.
Todo mundo assiste televisão.
João não.
Todo mundo queria alguém no mundo para amar.
João não.
João na verdade não tinha nada, tirando o fato de ter nascido no dia 01 de abril.

- João não era nada. -

João de Flora.
João de fora.
De fora da sociedade.
João não tinha casa.
João não tinha emprego.
João não tinha namorada.
João não era nada.
Ou era, Joãozinho, depois João, depois seu João, depois nada.

- R.I.P.-
João Ninguém.
♥ 01/04/****
† 01/04/2007
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