sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Nêgo Romeu¹.

Romeu queria o mundo.
Romeu amava todas as mulheres sem excessão.
E era amado por todas.
Não tinha uma mulher que não dormisse com Romeu que não saísse sorrindo no outro dia.

- Romeu era o cara -

Mas um dia Romeu cansou dessa vida.
O dia em que ele conheceu Lara.
Lara virou sua cabeça e tomou seu coração.
Ele só pensava nela.
E por isso dispensou Sônia uma morena daquelas, Marta uma loira de parar o trânsito, Paula que tinha uma fogueira no corpo e tantas outras que babavam por ele.
Romeu não as queria.
Só tinha olhos para Lara que não era do tipo capa do mês, mas tinha lá seus atributos.
Por Lara Romeu faria qualquer coisa e até se agarrou com tudo que é santo.
Mas Lara não o queria.
Certo dia Romeu a viu com um cara aos beijos.
Foi o dia que Romeu perdeu a cabeça.
Foi pro samba, bebeu, dançou, chorou, sorriu, saiu e sumiu.
E o mundo ficou, sem o nêgo Romeu.

¹ - o titulo faz alusão a uma musica de uma banda pernambucana chamada Negroove, a música tem o titulo Nego Romeu.

* Dedico esse texto a todos os devoradores de mulheres, talvez o destino seja o mesmo de Romeu.

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Movimento entre Blogs – Vale a pena ler de novo


1 - Qualquer blog convocado pode participar.


2 - O blogueiro que participar deve escolher um de seus textos (de sua autoria) que você mais gostou
(sabe? aquele que quando você acabou de postar você disse para si mesmo: eu estou inspirado hoje!),
e então republicá-lo, podendo trocar foto, modificá-lo de algum jeito.


3 - Escrever a frase: ‘Movimento – Vale a pena ler de novo’ no final do texto, só para identificar como participante juntamente a essas regras.


4 - Convoque mais 5 blogs para esse movimento colocando os links deles no seu post republicado.


5 - Se você foi convocado mais de uma vez, se quiser, republique mais algum que você goste.


Criado pelo blog: A ótica de um míope.

Convoco os seguintes blogs:

LisUpgrade
Café com Creme
Devaneio Abissal
Menina Lunar
Conversa de Terapeuta

sábado, 11 de agosto de 2007

Sem título, sem sonhos, sem nada.

Acordou, lavou o rosto, deixou novamente para amanhã a árdua tarefa de fazer a barba. Tomou um banho, pegou aquele jeans desbotado e a velha camisa com os dizeres revolução. Vestiu-se, pegou o maço de cigarros, as chaves, trancou a porta e saiu.

Andou até a parada de ônibus, parou e esperou, o ônibus veio, muitos subiram, ele também. Logo desceu. Mesmo com todas as janelas abertas ainda assim se sentiu sufocado, decidiu continuar o percurso a pé.

Desceu do ônibus, acendeu um cigarro, deu um trago e veio a sensação de paz.

E lá ia ele.

Uma das mãos no bolso, o cabelo preto desarrumado como prova de que não havia sido penteado, talvez por falta de tempo, talvez por ter sentido saudade dos velhos tempos, a calça desbotada e blusa velha, ninguém notava mais.

O cigarro já estava perto do fim, pensou em acender outro mas continuou a andar. Seu caminho era sempre em frente até chegar a algum lugar que era este o seu destino, seu mesmo destino nos últimos dez anos.

Atravessando a rua, a brisa que vinha do mar roçou a sua barba levemente e voltou sua atenção para o lado, quando o que devia fazer era seguir em frente. Em frente chegaria a velha selva de pedra, que antigamente ainda tinha um pedaço de verde que era natural. Dobrando na rua em que sentira a brisa chegaria a um lugar que há muito tempo ia diariamente.

Decidiu dobrar na rua.

A cada passo que dava ia de encontro a brisa que estava ficando cada vez mais forte, e no meio do caminho enquanto as lembranças se intensificavam comprou uma garrafa de vinho, talvez tão velho quanto ele, talvez apenas um vinho barato.

E a cada passo que ele dava as cores das árvores e das calçadas iam mudando suavemente, assumindo os tons amarelos do passado, e os rostos das pessoas que passavam se transformavam no rosto das pessoas que passaram por ali naquele mesmo dia a alguns anos.

E um velhinho que estava sentado na calçada ainda era o mesmo tendo apenas remoçado os anos que se passaram, e ele sorriu, o tempo passou, o tempo voltou e o velhinho continuava ali.

Ao passar pelo velhinho sorriu e recebeu um sorriso de reconhecimento em troca.

Continuou a andar, a garrafa de vinho estava agora na metade. Passando em frente a vitrina de uma loja viu que seu jeans estava de um azul vivo, e sua blusa estava nova e o dizer que estava estampado nela pulsavam fortes no seu coração.

E veio uma louca vontade de correr, correu, chegou até a praia, e foi naquela mesma areia que um dia tinham se reunido grandes mentes ou talvez alguns garotos com vontade de mudar o mundo.

Nunca mais vira esses garotos ou até mesmo os homens andróides que tinham se transformado com suas roupas da moda, mulheres de capa de revista e carros do ano.

Agora estavam novamente todos ali, mesmo em tons do passado. Ele sorria e já não se sentia mais tão velho assim.

Voltou para a selva de pedra, e em cima de um banco de uma praça movimentada começou a falar, e muitos que viam de fora o julgavam louco ou bêbado, ou talvez louco e bêbado. Mas quem teve a oportunidade de ver de dentro sentia uma grande vontade de a ele se juntar, subir naquele banco e gritar para todo mundo ouvir e quem sabe assim o mundo entendesse e voltasse a girar no eixo certo.

O dia passou, a tarde passou, a euforia passou e a noite veio.

Trazendo com ela o medo e a sensação de fracasso. Pegou um ônibus qualquer, sentou-se na última cadeira, voltou pra casa.

No banheiro chorou sozinho de baixo de uma água fria como pedra. Saindo do banho colocou na vitrola um LP de que gostava.

Caiu na cama ouvindo sua música preferida, logo adormeceu e no seu sonho o mundo tinha mudado, estava "bom" e ele então estava feliz.

A sua convicção de que o sonho era verdade foi tão forte que no sonho mesmo ele ficou, fazendo isso nunca mais acordou.

Pegou no sono antes de ouvir o seguinte trecho da sua música predileta:

"Hey como eu ia saber que os meus olhos enxergavam no escuro
Hey não me pressione você não vê que eu não sou culpado
Já faz tempo agora que o último revolucionário se foi
Mas quem sabe se você não vai ser o próximo
A dar continuidade a história"

Não, agora ele não sabia mais se ele teria sido o próximo, mas é certo que o mundo sentiu falta dele sem saber.