segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Remetido pela saudade, destinado a solidão.

O sol queimava a cabeça das pessoas naquela cidadezinha esquecida por Deus. O mesmo sol que por vezes ressecava o coração dela e rachava os lábios de seu pequeno.
Ela, a não sei quanto tempo atrás, que vivera um grande amor, tão curto como o mês de fevereiro, porém tão intenso como o brilho das estrelas que acompanham a lua em noites sem nuvem.
Só se sabe que ele gostava e falava das coisas do mar, e assim como veio se foi. Deixando junto com as juras de amor eterno um endereço borrado num guardanapo de papel e uma semente dentro dela, para florescer na primavera.
A semente virou flor, um lindo menino, com a cor e os olhos do pai. Ela todo mês escrevia cartas para ele e todo dia a tardinha ficava na porta de casa esperando o carteiro passar. E ele sempre passava, por vezes parava, mas nunca era pra ela.
O menino cada vez maior, saudade cada vez maior, lágrimas não tinha mais. O menino levara o nome do pai, apenas o nome, o sobrenome não se sabe onde foi parar.
Todo mês ela ia à velha agência dos correios entregar uma carta, com uma enorme vontade de ir dentro do envelope, junto com o filho, junto com a saudade.
E daquele grande amor, hoje resta uma música, um menino agora homem, e um senhor em algum lugar do mundo que enviava uma carta todo mês para alguém. Mas nunca teve resposta.

-

acaso?

caso.

conto.

contei.

50 comentários:

Ch disse...

Olá, olá...
.
Voltando ao Café [talvez o primeiro hoje por aqui...quem sabe], ponteando olho e emoção nas linhas da crônica de saudade!
.
Vê a estrutura tênue, o âmago, o senso. Quem escreve, vive paralelamente em suas próprias linhas.
.
Abraço do
Carlos

Mila disse...

lua tu me derrete com esses teus textos.
é tudo tão.. real.lindo.

talvez todo mundo teja esperando uma carta né?

te amo e to sentindo tua falta.
volta.
;*

renato disse...

Terra alheia , pisa no chão devagar.

Writer disse...

Oi amiga,

Gostei de ver e ler o texto, espero que não pare, você sabe que não podemos parar, essa é uma parte de nossas vidas, escrever é o falar da alma.

beijos e até.

Hélder, o míope disse...

Amores inacabados são coisas tristes.
Mas nas suas palavras fica tudo suave.

x)

bejo!

Paulo D'Auria disse...

Lua, lindo!

Lunna Montez'zinny disse...

Nossa, precisei respirar agora. Adorei a saudade e a parte do envelope voltou-se para mim, como se eu esperasse a carta ou apenas a enviasse até dado momento.
Sensível e intenso.
Beijos minha cara

Edson Marques disse...

E contou bem: belíssimo texto!

Agradeço pelo teu comentário sobre o "desastre". Você se saiu bem: nunca devemos responder a perguntas mal formuladas".

Abraços, flores, estrelas..

Alê disse...

Oi, flor!

Filipe Garcia disse...

Quanta ternura!!

Gostei bastante.

K disse...

A esperança é um veneno que mata lentamente....e claro, dá margem as linhas que contornam as almas prisioneiras das coisas mal resolvidas....

Loh_rayne disse...

ah seus textos; os mais belos e marcantes


:*

Sentimentalidades-Todas disse...

Lindo....
Tocante...
Foste muito feliz em descrever a dor feminina.
Voltarei sempre!

Sentimentalidades-Todas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mr. Ziggy disse...

É, o pior de tudo isso é que de fato há muitas histórias tristes do tipo. Tanto a ausência do pai quando da mãe pesam muito na formação da conduta de uma pessoa. Antes de "fazer filho" deve-se pensar muito, para depois não passar por toda uma vida esperando apenas por cartas. Bjos!

Lord of Erewhon disse...

Bela prosa, menina! ;)

subby disse...

aii que coisa maravilhosa..

a forma como escreveu esse texto me lembrou Gabriel García márquez... suas histórias encantadoras.

*suas - serve tanto pra vc qnt pra ele.

beijo!

Mapa do meu nada disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gracy disse...

que lindo lua e nao menos triste.


lembrei agora da carta q tu mandou e eu escrevi outra mas até hoje não mandei, isso tudo é preguiça de ir ao correio.

talvez tenha acontecido isso na historia tb

=]]

18 de Feverei

Jeniffer Santos disse...

sempre bons contos!
beijos!

Fê Probst disse...

Sementes germinam, primaveras frutíferas. Verão saudoso. Saudade essa que vive, que anda, que fala. A saudade tem pernas e saiu de dentro dela.


Que lindo o que tu escreve!

NANDO DAMÁZIO disse...

Gosto muito quando econtro pessoas que escrevem bem assim .. Muito bom o conto !!
Saudade .. como é difícil traduzir esse sentimento em palavras, só mesmo com a sensibilidade de quem tem o dom da escrita !!

Mariana, perdida em si mesma disse...

Há tempos não vinha tomar café. Descuido mesmo.
Vejo que fazem falta, o café estava ótimo como sempre, gosto forte, café preto que gente de verdade toma; com um torrãozinho de açúcar de sentimento, desses que a gente traz não sei bem se na cabeça ou no peito...

mary ienke disse...

Incrível como a gente se envolve com a história toda!

Beijos :D

Eduardo Rocha disse...

Resolvi dar uma conferida no seu blog depois de te ver no meu e confesso que me surpreendi. Lindo texto.

Acho que vi referências a Chico Buarque. Errei?

Voltarei sempre.

Beijo.

Lexotan disse...

desencontros acontecem. O que o desencontro não sabe é o que ele muda dentro de nós.

Eduardo Rocha disse...

Eu conheço Vitor pessoalmente. Ele toca com a banda Seu Chico, que é cliente da mooz. Inclusive, nós que tiramos as fotos de divulgação deles que tão por aí.

Minhas fotos são em filmes mesmo. Uso Ilford, Kodak ou Fuji ISO 100 e 400. Depende do que eu encontro na Digital Color (no beco do fotógrafo) ou se compro filmes em São Paulo.

A referência a Chico estava clara: "Só se sabe que ele gostava e falava das coisas do mar". Fora as outras mais sutis. :)

Murilo Contro disse...

Estou iniciando um novo blog, chamado Clube da Leitura, na

verdade um coletivo onde postamos sobre literatura.

http://www.clubedaleitura.org

Um abraço,

Murilo

Anayar disse...

sempre bela

voltei amiga, beijo

. duda disse...

E quem julgaria o amor dela como uma decepção?
Quem dirá que ela foi enganada e traida se a ela resta um amor confortado e nutrido por uma única alma, um amor que cresceu como quem cresce só com arroz ou sói feijão, quando precisa dos dois, mas cresce memso assim...
Lindissimo texto, lindo como todos os outros, muito bem escrito.
:* Lua

Auíri Au disse...

Lindo blog...


luz




Auíri Au

Esther Soares disse...

Amei. De verdade. Vc escreve mt bem(mas é claro que vc já sabe disso!).
Beijos, e visita o meu blog tb tá?! E quanto ao café, tem que ser com leite e pouco açúcar!

Eduardo Rocha disse...

coloquei umas fotos bem legais lá no blog. dá uma olhada. :)

a. fontelli disse...

lua sumida.
a gente sempre acaba no romantismo... e na solidão. =/
acho que andam de mãos dadas.

beeeijo.
;*

Luis Amaral*____________________ disse...

cadê tu, tais sumida...

beijos!!!!

Menina Lunar disse...

Poucas coisas são mais belas que a tristeza;
Raras coisas são mais belas que a tristeza contada por você.
Talentosíssima!!
Beijo gigante.

Laís disse...

tudo teu é tão bom.. lua, como tu tas hein? saudades beijo!

eluza barros disse...

Oi, Lua
passei para lê-la e encontrei esse belo conto, assim como você simples e linda. A leitura é saborosa, amo seu jeitinho de escrever, fala poeticamente ... o grande amor tão curto como o mes de fevereiro e tão intenso quanto o brilho das estrelas... .
Fiquei super feliz de encontrar o nome do meu blog indicado aqui, para mim é uma honra, obrigadíssimaaaaaaaa, beijos e "au revoir"

Lua disse...

engraçado... passei pra ver como andava as coisas por aqui e voltei pra tomar um cafe e esta tudo parado... como assim... ?

e o que me intrigou mais foi o seu nome... é Lua realmente... é porque sempre tive vontade de conhecer uma pessoa que tivesse o mesmo nome que o meu... ai acabei perdendo a concentraçao sobre o texot... passo aqui outra hora...
feliz dia da mulher..

beijos

Bruno disse...

O triste é que é uma história até que comum por aí. Se bem que tão bonita assim como você contou não é nada comum...

Beijo

Bruno disse...

E, ah! sei que está meio atrasado já, mas tem homenagem pra vocês , meninas, no Acepipes Escritos.

Consternado disse...

Toma-se um verdadeiro chá de sumiço!

Alê disse...

Deixo beijos*

Éverton Vidal disse...

Bem comovente... Essas coisas realmente acontecem.
Belo blog. belos textos.
Inté!

Eolo, Senhor dos Ventos... disse...

E quem disse que a na tristeza não a beleza?
Lindo texto Lua.
Saudades de nossas conversas.
Beijo!

Consternado disse...

Enricou num foi?

Esqueceu dos velhos amigos...

Larissa Bohnenberger disse...

Adorei a semelhança com a música "Minha Vida" do Chico!

Consternado disse...

Caso!

Fagner disse...

Amei os teus textos.
Posso colocar um link para o seu blog no meu?

Augusto Tampinha disse...

você escreve bem moçinha

parabéns!!