terça-feira, 14 de outubro de 2008

Amanuel.

Ontem meu Deus,
Fez 40 anos que Manuel foi embora.
Quando aqui eu cheguei,
Manuel já tinha ido.

Ele foi, e deixou pra mim o seu Recife,
O Recife da casa de seu avô.
Quando eu cheguei, ainda tinham as ruas aqueles nomes bonitos que um dia ele tanto exaltou.

Ontem me deu uma saudade assim,
Saudade sentida de Manuel.
Corri por todas aquelas ruas de nomes bonitos, e foi as margens do Capibaribe [Capiberibe] que alguém me disse pra onde ele foi.
E disseram assim:

- E lá foi ele.
Caminhando com passos leves e sorrisos largos.
Deixando para trás o peso da vida em seus pulmões cansados.
Feliz ele foi para Pasárgada,
Por que lá, ele é amigo do Rei.

-

Homenagem singela a um grande poeta conterrâneo meu, o saudosissimo Manuel Bandeira, autor de O bicho, Pasárgada, A estrela, Estrela da manhã, Cinzas das horas, e tantas outras obras de uma beleza profunda, e uma certa melancolia escondida entre os versos.

Ontem (13-08-2008) fez 40 anos de sua morte.

Espero que ele esteja a me esperar, pois um dia irei até Pasárgada, pois lá, também sou amiga do Rei.

- Lua Durand.
Recife, 14 de Outubro de 2008.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Infinito.

As vezes sente vontade de sumir.
Uma vontade intensa de voar, mas é só abrir os braços e até talvez dar um impulso e perceber que não adianta.
Sorri, segue em frente, as outras pessoas não o deixam parar. Talvez por vontade própria teria um dia largado tudo, trocaria o carro importado por uma bicicleta enferrujada, trocaria tudo para pelo menos uma vez ter a plena sensação de liberdade.
Trocaria toda a sua individualidade, para em um dia qualquer, em um lugar qualquer, ao olhar o firmamento poder se sentir pequena parte de um todo feito por alguém infinitamente maior que ele, e assim sorrir agradecido pela beleza do simples.
Talvez tudo o que falte seja apenas coragem, de abrir os olhos, de levantar da cadeira, de deixar tudo pra trás.