terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Bastardo. (do mundo)

Não, não sou assim.
Sou de antes, de antes do mundo, de antes de tudo, de antes de mim. Nasci no tempo errado, no tempo de homens errados. Nasci sem nome, sem referências, sem endereço.
Nasci sem pai, nem mãe.
A primeira lembrança que tenho de antes (de mim), é a lembrança do mar. Quem sabe sou filho das espumas das ondas que quebram na areia da praia. Ou talvez eu seja algum pedaço de nuvem densa que resolveu cair como chuva em um dia qualquer.
O certo é que me sinto estranho, apático, a parte. Me sinto fora de tudo, do mundo, fora de mim.
Enquanto todos calam eu grito, não me contenho. Uma vez, quando explosivo, cheguei até a cegar.
Enquanto todos falam, eu calo, me faço mudo, invisível, me escondo e me perco entre lágrimas amargas de dor e solidão.
Tudo o que havia dentro de mim foi embora, sou oco, vazio, transparente. Não sou nada, nem nunca fui, talvez um dia quem sabe eu seja, seja algo para alguém, pois não sou todos, sou um, único, e costumo em quartas-feiras que chovem sair à rua sorrindo.
Não sei como ou porque, desde de antes (de mim) carrego em meu peito todos os sonhos do mundo e um pouco, de alguém que nunca existiu.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Sou.

Fora dos meus olhos o mundo chove.
Sinto falta de mim, de ser o que não fui.
Vejo a vida e não me vejo, ando e não lembro de nada.
Volto de onde não estive, ao meu redor as pessoas estão paradas.
Ninguém nota, nem eu.
Olho o céu, não há nuvens, o sol brilha, meus olhos chovem, nada há no lugar.
Faz frio e não me importo, meu corpo nú caminha, minha vontade de ser sumiu.
O que resta basta, não para mim.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Amarelo.



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O mundo que havia dentro de mim, o trânsito caótico que corria em minhas veias explodiu.
De uma vez só, e sempre.

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De repente, tudo o que ele não queria que o silêncio soubesse veio a tona, caiu a máscara e as fichas.

Uma sensação indescritível, inexplicável.

Sentiu uma mistura intensa de timidez, vergonha, e talvez até um pouco de alegria.

O mundo girou e ele caiu em um lugar escuro, misturado de lembranças.

Saiu à rua, sorrindo, nem percebeu quando atravessou o sinal aberto, também não ouviu as buzinas do carro. Falou sozinho enquanto andava, gritou sozinho, enquanto todos paravam, sorriu.

Um sorriso largo de uma timidez profunda.

E o mundo nunca mais girou no eixo certo.