terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Bastardo. (do mundo)

Não, não sou assim.
Sou de antes, de antes do mundo, de antes de tudo, de antes de mim. Nasci no tempo errado, no tempo de homens errados. Nasci sem nome, sem referências, sem endereço.
Nasci sem pai, nem mãe.
A primeira lembrança que tenho de antes (de mim), é a lembrança do mar. Quem sabe sou filho das espumas das ondas que quebram na areia da praia. Ou talvez eu seja algum pedaço de nuvem densa que resolveu cair como chuva em um dia qualquer.
O certo é que me sinto estranho, apático, a parte. Me sinto fora de tudo, do mundo, fora de mim.
Enquanto todos calam eu grito, não me contenho. Uma vez, quando explosivo, cheguei até a cegar.
Enquanto todos falam, eu calo, me faço mudo, invisível, me escondo e me perco entre lágrimas amargas de dor e solidão.
Tudo o que havia dentro de mim foi embora, sou oco, vazio, transparente. Não sou nada, nem nunca fui, talvez um dia quem sabe eu seja, seja algo para alguém, pois não sou todos, sou um, único, e costumo em quartas-feiras que chovem sair à rua sorrindo.
Não sei como ou porque, desde de antes (de mim) carrego em meu peito todos os sonhos do mundo e um pouco, de alguém que nunca existiu.


28 comentários:

César Fernández disse...

Sair à rua sorrindo em quartas-feiras que chovem é legal.

(:

... disse...

Menina, lindas palavras!
Gostei muito do seu espaço, descobri-o através da Adrí e já vou adicionar ao meu.

Beijos,

Narayana.

Camila disse...

Então que todos os dias seja quarta-feira chuvosa!

E que esse vazio seja preenchido por sentimentos lindos!

( Mas apenas se assim quiser e se fazer sentir melhor)

Anayar disse...

"se todo mundo é tão só, então todos estão juntos nisso"

saudades lulu!

Mandy disse...

Texto maravilhoso!!! Primeira vez por aki e adorei msm!!!

Principalmente o final: "Tudo o que havia dentro de mim foi embora, sou oco, vazio, transparente. Não sou nada, nem nunca fui, talvez um dia quem sabe eu seja, seja algo para alguém, pois não sou todos, sou um, único, e costumo em quartas-feiras que chovem sair à rua sorrindo.
Não sei como ou porque, desde de antes (de mim) carrego em meu peito todos os sonhos do mundo e um pouco, de alguém que nunca existiu."

BjO.

Kah disse...

Luaaaaa,

Adorei viu, embora tenha achado um pouco triste,angustiante, são palavras carregadas de sentimento, de profundidade. Eu volto.

Te beijo.

Dri disse...

Penso que os bichos transparentes são como as misteriosas aguás vivas, que carregam a vida em um contraditório balé,e algumas possuem alguns dos venenos mais mortais da natureza. Acho que já me senti assim, na contra mão do mundo, meio invisível em meio a mesmice da multidão. Que após as chuvas de quarta, arco-iris venham iluminar novos caminhos. Abraços

Thiago disse...

cheio de vazios! Talvez seja aquilo de dizer sim até mesmo quando diz não. :)

Adoro as quartas, se chuvosas então. basta :*****

Suelen Safiano disse...

Adorei seu texto! Suave, mas denso. Alegre e esperançoso porém vago. Você fez uma mistura que fluiu muito bem.

Parabéns

anareis disse...

Estou fazendo uma campanha de doações para criar uma minibiblioteca comunitaria na minha comunidade carente aqui no Rio de Janeiro,preciso da ajuda de todos.Doações no Banco do Brasil agencia 3082-1 conta 9.799-3 Que DEUS abençõe todos nos.Meu e-mail asilvareis10@gmail.com

Evelyne Freitas disse...

Gostei muitíssimo daqui e voltarei!

Carlos Henrique Leiros disse...

Olá, olá...
.
Gostei da crônica, do mar como sendo aquela eterna referência, por trás de todos os sonhos.
Também sou alma fora do próprio contexto!
.
A prosa continua afiada. E o café, no ponto.
.
Abraços do
Carlos

Rafael Velasquez disse...

parece que você é seu grande enigma.

Jaya disse...

"Sou de antes, de antes do mundo, de antes de tudo, de antes de mim."

"Enquanto todos falam, eu calo, me faço mudo, invisível, me escondo e me perco entre lágrimas amargas de dor e solidão."

Lua,

Isso aí, em destaque, é a parte mais eu, da tua poesia. Poesia essa, que nesse momento, inunda minha vida inteira, como Drummond falou, um dia.

Saudades, flor.

Te beijo, com carinho.

Felipe Dib Boufflers disse...

sempre com coisas boas ;D

molin' disse...

eu, tenho às vezes este lado não pertencente ao mundo, mas dai me engano, e penso que ainda bem qe tudo passa não é mesmo?
adorei
beeijos

Thiago disse...

necessito de café, quentinho.

hoje,

é difícil

sozinho.

beijo na testa.

Jaya disse...

Cadê você, no meu céu?

acqua disse...

Bom dia Lua, caríssima, saudades (muitas) daqui e uma vez estando aqui fiquei a namorar sua paisagem com aquele sabor de palavras por entre os lábios exaustos de tanto sorrir.
Será que tu me permites levar esse texto comigo? Excelente domingo pra ti...

Belinha disse...

Gostei muito nao sou desse lugar e tals... Bom aqui...

Ugo Braga disse...

Lua, minha prima, que tal me mandares a conta do café por email para mudarmos a cara do meu 2009?

Thiago disse...

saudade que bate à porta todo dia!

Eolo, Senhor dos Ventos... disse...

Você como sempre não nos deixa nem a oportunidade de falar algo, né?
Tudo que tinha pra dizer foi dito.
Dentro dessas palavras tão lindas que só você sabe escrever.
Saudades de você minha amiga.
Desculpe sumir assim.
Um dia conseguirei te explicar, espero eu.
Um grande beijo desse amigo que te adora...

Bruna Barros disse...

muito lindo, muito mesmo.
volta a postar, lua.

Samir Raoni disse...

gostei do seus escritos.

vou colocar no meu blog.

abraço

Samir Raoni disse...

As vezes a chuva cai – suas gotas escorrem
em meu tecido, molhando a pele negra
despejada no asfalto das palavras de uma
narrativa incompleta...

Gracy disse...

"Não sei como ou porque, desde de antes (de mim) carrego em meu peito todos os sonhos do mundo e um pouco, de alguém que nunca existiu."

PERFEITO

tava com saudade de vir aqui

Gracy disse...

"Não sei como ou porque, desde de antes (de mim) carrego em meu peito todos os sonhos do mundo e um pouco, de alguém que nunca existiu."

PERFEITO

tava com saudade de vir aqui