terça-feira, 7 de abril de 2009

[Vi]ver.


Hoje me despeço do mundo com a lucidez de uma criança.

Olho pra trás e sorrio dos dias bem vividos.
Olho para frente e vejo um longo caminho por onde devo ir.
Meu corpo antes cansado se renova a cada dia e eu sigo.
Levo dentro de mim os amigos de uma vida e a vontade de viver sempre mais.
Sorrio, sou rio.
Estou só e sempre de passagem.
De vida, e na vida.
Quem sabe amanhã talvez.
Um dia serei luz, como aquela que brilhava nos olhos de alguém da última vez que o vi.
Hoje sou saudades.
Hoje sinto saudades.
Do que poderia ter sido e não fui.
E para que o arrependimento não me alcance, caminho sempre em frente, pois mais a frente eu sei que vou encontrar o futuro.
Talvez duas crianças como sempre quisera, talvez uma mesa pra dois onde sentará apenas um.
Talvez a casa cheia e as portas abertas, talvez.
O que me dói é que um simples talvez, um único talvez, esconde infinitas possibilidades.
Vontade de inexistir, a vida segue, o ônibus segue, e eu sorrio.