quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Sobre doer.

Aguda. Vinha sim. Vinha assim. Uma vez. Parava. Mais uma vez. Parava. E doía, como doía. Não tinha hora. Era parado no sinal pra atravessar a rua, o sinal fechado, e a mente vagueando na dor. O sinal aberto, os pés em desalinho, desalentado andava, sozinho, com sua dor. E doía. Com palavras, fotos, expressões, sons. Doía. E a dor escorria por todo o seu corpo, como chuva. E ele vivia, sem remédio, doendo, até não poder mais. Não tinha fuga, era apenas dor. Não tinha alivio, não tinha sono certo, não tinha nada de mais, era apenas dor.