segunda-feira, 10 de maio de 2010

Crua.

Teve medo.
O medo fez-se espanto.
O espanto fez-se riso.
O riso fez-se lágrima.
A lágrima fez-se dor.
A dor fez-se sozinha.
E consumiu. O peito. A mente. Dias e dias. Passado e futuro.
A dor, levou junto com ela o sono. Ainda achando pouco, levou também a velha crença no grande amor.
A dor, fechou o sorriso, antes aberto, estampado no rosto.
Reclamou para si todos os versos, atenções e prosas.
A dor era tanta, que não tinha jeito nem hora. 
Ele não compreendia como podia doer tanto assim.
Doía tudo. O dito e o não dito.
O que foi vivido, e o que ficou na cabeça, nas letras, no papel, nas telas de cinema.
Inútil era qualquer tentativa. A dor não passava.
Se sentiu vencido, deixou doendo, doer por fim.

-

*escrito originalmente no dia 04/03/10, porém é sempre atual. 
**para ouvir: faixa 1, do albúm: certa manhã acordei de sonhos intraquilos, do artista Otto.

13 comentários:

afense disse...

e como dói...

:* Lua
muito bom o texto

Camila Chaves, disse...

Lindo!!
Beijos

Laura K. disse...

O dor é um de nossos meios de apredizagem, (in)felizmente...

deh ramos disse...

E eu acho que continuo doendo aqui.. E parece não ter fim =/

Martinez disse...

muito interessante

. fina flor . disse...

É, algumas dores eu também deixo doer até o fim........

beijos, querida e bom fim de semana

MM.

keila lima disse...

Dói muito! Talvez um dia deixe de doer ou quem sabe a gente se acostuma com isso...

Marquês de Par At Hibe disse...

Difícil é, ao ler estas linhas, que tratam de coisas tão elementares, conseguir ir além da trivialidade. Dizer mais o quê? Talvez isso, que reparei: o teu texto não defende que "a dor ensina", como insistem em reiterar os otimistas. Que ela "às vezes" ensina, pode-se admitir. Só que isso é acidental. Mas ensina sempre? Torna-nos sempre pessoas melhores? Duvido. Que ela ensine, vá lá, mas não é para isso que ela existe. A dor não existe "para alguma coisa". A dor existe. A dor é. A dor "fez-se sozinha". A dor é, sei lá, a maneira do mundo dizer o quanto eu, Mond, e você, e Afonso e Jamesson, e Aurenice e Lula e Shakespeare e o palhaço Carequinha somos ridículos. E uma essência assim, irracional, absurda, que não colabora com nossos propósitos, apavora.

Acho que gostei do teu texto por causa disso.

Abelardo gonzález disse...

tudo que dói nos tem um efeito,
e nos outros também.

o que cura talvez.

Post It disse...

Quando deixamos a dor no lugar dela, acabamos nos acostumando. O que não podemos é ficar dando força para ela, ou ela aumenta.

Texto é triste e belo, concluimos que a dor tem seu lado bom.

;*

Impoesia sim disse...

A dor é uma escola que ninguém quer freqüentar. Mas ela é muito prestativa e vem ao nosso encontro nos dar sua lição. Mais difícil é dizer se ela doa ou nos subtrai, sou da opinião de que ela doa sim, com fineza, para que entendamos o valor da dor como instrumento de conhecimento. Que leve tudo mas nos dote do poder de criar.
O texto é bonito. Muito significativo. Um pequeno espelho de nossas impressões, o que não se consegue sem sensibilidade e esta vem se depurando. Lua crescente! Grato pelo texto.

Anônimo disse...

as the sun
make it new
day by day
make it new
yet again
make it new

As Flores e Eu disse...

Gostei muito do que eu li Voltarei mais vezes.
Beijos