segunda-feira, 12 de julho de 2010

1.

1. - postagens aleatórias de 2010.

Quem somos nós? Quem? O que? Quando?
Perguntas ecoavam sem respostas, na mente de alguém que apenas caminhava, igual a tantas outras pessoas numa avenida movimentada.
Perguntas ecoavam dia e noite, na mente de alguém, com um nome comum, uma vida comum, uma rotina comum.
Todos os dias eram as mesmas coisas, pessoas, pensamentos e sensações, aqui, ou simetricamente do outro lado do mundo.
A vida era a mesma, o sangue era vermelho, o sol nascia sempre. Não havia o que achar diferente.
Talvez, o mundo estivesse pequeno de mais, outro planeta talvez fosse o ideal.
Precisava sair, da vida, ou do mundo. Eram as únicas opções.
Um dia, acordou sem coragem para enfrentar o dia.
Abriu os olhos, levantou-se da cama, e foi para a rotina de sempre.
Mas estranhamente o mundo antes igual, parecia diferente, as cores estavam mais vibrantes, o sangue nas veias pulsava quente, as pessoas eram incríveis, vestindo a fantasia do dia-a-dia, o céu, de imenso azul e nuvens brancas era apenas um pedaço da beleza infinita que fazia parte desse mesmo mundo, que até ontem era diferente.
Chegou em casa à noite, com a sensação que a lua brilhava só para ele.
Olhou-se no espelho, e viu que os óculos que usava não eram os seus.
E foi aí que percebeu, que o mundo era um, o mesmo. E que era ele, quem devia trocar as lentes.

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Por mais que se queira, a vida não para.
Nós estamos aqui, hoje. Não por acaso.
Vamos trocar as nossas lentes?
Lua.
*Para ouvir: Silvério Pessoa - Ciclos.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Reflexos de um dia cinza.


“Estava sentado em um banco próximo à linha do trem, consultava o relógio de vez em quando, e pensava na vida, na minha, e nas vida das pessoas que passavam ao redor. Estava completamente absorto, em um estado quase contemplativo. Hoje eu estava ali, mas ontem ainda, eu não era o que sou hoje. Ontem eu era alguém, com alguns planos, muitos sonhos e um único objetivo. Ontem, eu queria o mundo, queria viver tudo, e sorrir descontroladamente. Hoje, eu me sinto perdido, sem chão, sem rumo, sem vontades. Pensei até em desistir. Parecia tão fácil. Apenas alguns passos, na hora certa, e o tudo, acabaria então. Coragem? Não tive, a minha vida inteira. Sempre deixei as pessoas, coisas e oportunidades passarem. E como passaram. Sempre me dei conta das coisas, depois que não tinha mais volta. Seria mentira dizer que nunca me arrependi. Pois isto aconteceu, inúmeras vezes, tantas que já perdi as contas. Doía muito, e eu sempre disse que iria fazer diferente na próxima vez, sempre apenas disse, eu nunca fiz. E assim, perdi alguns amigos, muitos possíveis amores, e pessoas e pessoas passaram por mim, sem que eu me permitisse criar laços. A vida era pra mim uma constante banal. E eu, sempre fui meio blasé com ela. A vida era vivida sempre no agora, pois para mim não havia passado ou futuro certo, o que importava era viver alucinadamente o presente. Isto aconteceu até ontem. Até ontem eu era alguém. Até ontem a vida me sorria. Hoje, eu me vi no reflexo de uma vitrine, e fiquei quase uma hora parado olhando, aquele homem que me encarava, tão familiarmente, e tão assustadoramente real. Hoje, eu vi o que eu me tornei, e não posso aceitar isso. Não quero aceitar isso.” 

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Notícia publicada no jornal, no dia seguinte, em uma coluna escondida na segunda página:

- Caos na Estação.
Ontem, na estação do trem, às 07:30h da manhã. Um homem se jogou na linha do trem, quando este estava a poucos metros de chegar. Muitas pessoas que seguiam sua rotina pararam ao ver aquela situação. O local foi evacuado minutos depois. Do homem não sobrou nada, a não ser um pedaço de papel em sua mão que dizia o seguinte:
“Envelheço. E isso me mata.”
Ninguém o reconheceu, e seu corpo será enterrado no cemitério da cidade, como indigente, na tarde de amanhã.

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