quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O último dia.

O último dia, ou: 
Passarinho na gaiola, quando canta é de tristeza.

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Inconteste. O coração bate dentro do peito e se alastra para o corpo todo, eu sou em todo coração. A vontade que dá é de ir embora de vez, desse mundo, dessa realidade tão irreal. Tudo ao redor parece vento, sei que é só abrir os braços, o mundo é meu, o corpo não.
Incoformo-me. Tudo é tão pouco, eu só quero ir além do tudo, e mais ainda, de mim.
Não tem jeito, não há mais hora.
O mundo borrado, o mundo tremido, o mundo desequilibrado treme, não de frio.
As formas dançam ante os meus olhos, e eu saio do corpo a qualquer momento agora, quando eu quiser, naturalmente.
Eu não pertenço a mim, meu corpo esta passando, o vento me carrega para longe, o corpo se desintegra, tudo o que fica é luz.

Leveza, cadê?
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Passarinho voa, voa.
Passarinho só quer voar.

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Para ver/ouvir/sentir: O velho - Chico Buarque.

7 comentários:

@heeldersilva disse...

Tudo é muito passageiro... Não há tempo a perder com coisas que não merecem atenção.

Belo escrito!
;D

Laura K. disse...

Acho que sou então que nem um passarinho. Só quero voar, voar pra longe de dia-a-dia sem vida e sem emoção. Quero experimentar novas realidades, novos sentimentos. Preciso sempre de novidades ou a monótona realidade me mata.

Anônimo disse...

Olá Lua, de vez em quando dou uma passadinha aqui pra ver se você escreveu algo novo, me identifico bastante com a sua maneira de escrever, posso dizer que somos muito parecidas no jeito de pensar. Curto muito seu blog. Bjs e até a próxima, tchau!

Marina disse...

Ninguém se pertence. Apenas roubamos um pouco de nós a cada dia para voar.

Lindo texto. Beijos.

Bruno disse...

Leveza tá nesse post, ué. Coisa mais linda :)

livia soares disse...

Muito bom.
Leveza estonteante, hem?
Um abraço.

Thiago disse...

Lua Lua, meu amor! Leve como tudo deve ser! Leve como tudo que tu faz é. E se o nosso redor parecer vento, que criemos asas então para podermos ir além de tudo, naturalmente.

Encontro aqui o Buarque, [re]encontro aqui tuas letras e o meu bom e amargo café.

Sempre quentinho.
Cheiro.