*postagens aleatórias de 2010.
Saí sim. Todos os dias. Correndo. De tudo, todos, e principalmente, de você. Fugi tantas vezes, nas mais das vezes, quando eu via você olhando pra mim, me cobrando respostas, medos, sonhos. Era tudo ilusão, e sempre tive medo que você descobrisse isso, descobrisse o quão pequeno era o nós dois. Abraços partidos, planos acabados. A vida continuaria sim, assim, só eu, só você. Um dia, quem sabe, talvez, você encontrasse um novo alguém, e outros novos sentidos. Pois eu apenas estava cansado, e pretendia ficar parado, vendo o tempo passar, até quando? Outro dia, senti o teu perfume na rua, e isso me despertou aquelas lembranças mais perdidas, do tempo em que olhar o nosso reflexo em vitrines de lojas fazia sentido. Do tempo em que fugíamos do mundo, para lugares onde só haveria eu e você, e ficavamos juntos, por horas, e nada mais importava tanto, porque lá fora a vida seguia, e entre eu e você o mundo explodia. Sim, explodimos juntos, mas tudo isso passou. Você passou por mim, não me reconheceu, apenas passou. E não importou mais para mim, apenas passou. Descobri novas cores, novos alguéns, novos gostos, cheiros e sensações, coisas que pareciam muito pequenas para você. Descobri a grandeza que há nas pequenas coisas, pequenas atenções. Agora, essas coisas não importam tanto. Nada muda tanto. Você está em algum submundo, e eu continuo, sobre viver, vivendo.
Sim.
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"quando eu saí da tua vida, bati a porta, saí morrendo de medo, do desejo, do desejo de ficar."
O leite - Otto.
(doendo)
(doendo)
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