sexta-feira, 5 de novembro de 2010

3.

* Postagens Aleatórias de 2010.

Todos os dias as pessoas se acostumam a outras pessoas e a diversas situações. E quem realmente importa, por vezes chega a passar despercebido, na nossa frente. 
Hoje eu estava deitada na minha cama, e o meu melhor amigo me ligou, querendo uma companhia pra sair [ele é uma das pessoas mais sozinhas que eu conheço]. Eu disse:

- Não posso, estou doente.
- Toda vez que eu te chamo para qualquer coisa você sempre inventa uma desculpa que não pode ir.

- Eu realmente estou doente.
- Então das outras vezes eram mentira?

- Não, não eram.
- Você não me convence mais.

- [...]
- [...]

- Vamos comer uma pizza na terça?
- Porque não na segunda?

- Na terça eu não tenho aula.
- Pois eu vou na segunda.

- Vamos na terça.
- Na segunda.

- Na segunda eu não posso.
- [...] - [Você nunca pode quando é para mim]

- [...]
- Tchau. [Tu, tu, tu...]

Lista das coisas que ele já me chamou para fazer e eu não fui, porque não podia, ou na verdade qualquer motivo é banal, perto de que é o meu melhor amigo.

- Vamos viajar para outra cidade?
- Porque/Pra que?
- Estou interessado numa garota e ela mora lá, e eu não quero ir só, estaria mais confiante com você ao lado, e poderíamos passear pela cidade, tomar sorvete, sei lá.
- Não posso.
- Porque?
- Motivo qualquer.

Feriado.
- Vamos a praia?
- Quando?
- Amanhã de manhã.
- Não posso/não quero.

[Esse pedido já foi feito mais de 20 vezes]
- Vamos a pizzaria?
- Não dá.
- Me dê um motivo.
- Não dá.

- Vamos no shopping?
- Fazer?
- Andar, cinema, qualquer coisa.
- Não posso.

- Vamos doar sangue?
- Sim, vamos!
- Eu me visto todo de vermelho para apoiar e te compro chocolate depois.
- Certo! Aonde vamos?
- Laboratório A.
- Laboratório A eu não vou, só vou se for no Laboratório B.
- Porque não no A?
- Porque lá o sangue vai para hospitais privados, e no B para públicos.
- Que diferença faz? A questão é vidas, e além do mais iríamos juntos.
- Só vou no B.
[Terminamos não indo, até hoje. Tudo bem que agora eu não posso mais, até investigar uma questão que possivelmente me impedirá de doar sangue]

- Vamos ao cinema?
- Não posso.

- Vem dormir aqui em casa.
- Tá louco?
- Você é minha amiga, e sabe que eu lhe respeito, eu durmo com a minha mãe, e você dorme na minha cama.
- Minha mãe não deixaria.
- Eu falo com ela, é sério, eu não faria nada de mais.
- Eu sei que não.
- Poxa, ficaríamos conversando, assistindo filme, e eu até pediria a mainha para fazer cachorro-quente.
- Seria massa.
- Vem?
- Não posso
[Nem ao menos eu tentei, ou deixei ele falar com minha mãe]

Eu poderia escrever aqui mais uma lista infindável de coisas que pelo menos nesse último ano ele já me chamou para fazer e eu não fui. 
Auto Acusação:
- Eu sou monstro.

Auto Defesa:
- Eu não fiz por maldade, eu realmente não tinha tempo ou não podia por algum motivo.

Auto Conclusão:
- Eu sou um monstro tapado.

Auto Reflexão:
- Ele é meu amigo, meu melhor amigo. Posso escrever uma lista de coisas bonitas que ele já fez por mim, desde que eu tinha 14 anos. Estamos na faculdade. Ele é meu amigo, meu melhor amigo, e qualquer motivo que eu tenha dito a ele para deixar de fazer qualquer coisa que ele me chamou para fazer, qualquer motivo é pequeno, porque as oportunidades com os amigos são sempre valiosas. Amigos são pessoas que fazem da nossa vida algo muito melhor, dia após dia. Bom, eu já perdi varias oportunidades de mostrar pra ele, apenas com a minha atenção, que ele é uma pessoa importante para mim. Talvez possa estar ficando tarde. E eu sei o quanto eu posso me arrepender depois. Afinal, não é todo dia que temos alguém para chamar de amigo. Quando eu chamei ele pra ir comer uma pizza na terça, e ele quis saber por que na terça, e eu disse que era por que eu não tinha aula, ele disse que iria na segunda, não era por nada exatamente. É só porque se eu fosse na segunda ele de forma ou outra saberia que importa pra mim. Bom ele importa pra mim. E agora eu tenho que correr, para mostrar isso a ele.

-

Bom, isso tudo aqui, é apenas uma reflexão, de mim para comigo, e com vocês.

O que realmente importa cabe no simples.
Por que eu complico tanto?

-

Todos os dias cometemos erros e temos atitudes que nos mostram o quanto somos pequenos, ainda.
Todos os dias, pela manhã que se inicia, o sol aparece novamente, depois de uma noite escura, com ou sem lua.
Todos os dias, temos a oportunidade de recomeçar, para os nossos erros, e de continuar a caminhar, nessa vida.
Todos os dias a vida acontece, e o que realmente importa cabe no simples.
"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim."

Lua Durand.