sexta-feira, 5 de novembro de 2010

As Veias abertas da América Latina.

Em algum lugar do tempo parado:

- Faz tempo que não venho aqui.
- É, agora faz tempo tanta coisa.

- Parece que nada mudou.
- Parece mesmo?

- Sim, está tudo no mesmo lugar.
- Você que não mudou nada.

- Eu?
- Sim, nunca foi de perceber muito..

- Mentira
- Mentiras.

- [...]
- De quando éramos Reis...

- Faz tanto tempo.
- Sim, agora faz.

- Como fez?
- O que?

- Pra passar.
- Fui levando.

- Chegou?
- Ainda estou no caminho.

- [...]
- Não tenho pressa mais, tudo no seu tempo.

- É.
- Passaram-se alguns anos, pus a roupa de domingo.

- E?
- Me senti estranha, não combinava mais comigo, tirei as mascaras, ainda não estavam pegadas a cara, recomecei tanta coisa, todos os dias, hoje estou aqui.

- Eu quis voltar, até pensei, sabe...
- Não importa, mais.

- Faz tanto tempo, agora.
- O passado não existe mais.

- O futuro então?
- Não existe ainda.

- Fato.
- O presente é.

- Chance?
- Nenhuma.

- Dói?
- Não mais.

- Entendo...
- Acontece.

- [...]
- Café?

- Sem açúcar, por favor.
- [...]

- [...]
- Aqui.

- Obrigado.
- Não há de que.

- Até.
- Au revoir.


-


Uma porta de madeira se fecha, fechando de vez histórias e estórias que aconteceram naquele Café. Um homem se foi, com seu nome, seus sorrisos, sua parte no passado. Deixou algumas lembranças, alguns sorrisos. Ela guardou tudo em uma caixa, depois em linhas, depois em lembranças, depois lá para o fim do futuro, o alzheimer levou as lembranças, deixando nela apenas um sorriso amarelo escondido no rosto, e para os outros uma vaga sensação de que ali dentro, dentro daquela pessoa, tinha um mundo inteiro de histórias e estórias que valeriam a pena ser ouvidas.

-
A vida não é
Banal.
 l u a.

6 comentários:

Laura K. disse...

A quantidade de portas que se fecham é igualzinha a quantidade de janelas que abrem-se. É questão de sentir e observar.

Não devemos deixar a vida passar sem que possamos vivê-la intensamente apenas por conta de algumas frustrações.

O caminho é árduo, porém possivel de se geuir em frente e sempre com a cabeça erguida.

Carolda disse...

"A quantidade de portas que se fecham é igualzinha a quantidade de janelas que abrem-se. É questão de sentir e observar. "

sim, e me senti vivenciando essa cena. Adorei.
Deve ser por isso que Cafés me fascinam tanto.
Um beijo

Anônimo disse...

esse cara ae alem de paciente, simpatico, atencioso, carinhoso, generoso e humilde é bonito?

nossa se for vc devia divulgar o msn dele

adoro café com mel

Analuka disse...

Que postagem provocativa, sensível e emocionante!...

Faz pensar bastante... sobre os movimentos e marés da vida...

Esquecimentos e lembranças, entrelaçados, ditos e desditos...

Deixo abraços e beijos alados.

@heeldersilva disse...

A vida não é banal, não mesmo. Ô, se a gente pudesse enxergar as possibilidades, as felicidades, as verdades, as portas abertas...

"- Faz tempo que não venho aqui.
- É, agora faz tempo tanta coisa."

Faz tempo que não venho aqui!
Tenho que cumprir minhas promessas, antes que o ano acabe, pra que o 2011 não se torne uma promessa não cumprida!

;*
saudade de você.

Cissa disse...

difícil é conseguir que chegue logo essa parte.