quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Tratado Infantil Sobre a Grandeza do Sentir.

Aos vinte anos, quando você pensa que já aprendeu alguma coisa na vida, e acha que não vai mais cometer as mesmas coisas, que agora já pode dar alguns passos. No meio do caminho, a passos firmes, você pisa em um chão em falso. Tropeça, se desequilibra, e cai. Alguns olham, muitos riem. Você se acha ridículo. Levanta. Talvez ria um pouco também, talvez não agora, mas um dia vai rir muito ainda. Você segue. Aprende de novo, e caminha. Aos 40 anos, as mesmas certezas, e a sensação de que a vida já trouxe muito, não vamos mais cair nos mesmos erros. O que dizer sobre os 55 anos? Tudo igual. Aos 70, aí sim, sorrimos à toa, com os erros cometidos durante a vida inteira, mas ainda assim não estamos imunes. Aos 99 anos de idade, Oscar Niemeyer, apaixonado, casou-se novamente.

Não por acaso, nos tornamos pessoas bobas, quando nos apaixonamos, ficamos em nossa maioria, desarmados, e em alguns casos, procuramos nos proteger, de que? De quem?
Tudo seria tão mais fácil, se soubéssemos desde a primeira vez, assumir nossos sentimentos, e falar a verdade, sem o medo de cair, ou o medo de parecer ridículo, bobo. Pois invariavelmente, nos tornaremos bobos, e seremos ridículos, a cada vez que nos apaixonarmos. 
E é isso o que ajuda a tornar a vida fantástica.
Não é apenas as atitudes, mas estar apaixonado envolve muito de sinestesia, no corpo todo, com tudo e mais.
Não, isso não é nenhum tratado, sobre estar apaixonado, ou apaixonar-se.
É apenas, o texto mais objetivo que eu consegui escrever em minha vida.

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(a partir de agora é ficção)

- Em algum lugar do tempo parado. -

alguém disse:
 olha, meu bem
 tô saindo exatamente agora porque tão buzinando aqui
 vou te pedir uma coisa
 que é uma coisa que eu quero pedir faz tempo
 na nossa próxima conversa
 seja objetiva.
 beijo.

alguém respondeu:
 eu vou ser. eu ia ser.

alguém disse:
 então treine pra quando eu voltar 
alguém respondeu:
 acho que não era pra falar.
 não, alguém
 enfim

alguém disse:
 não, nada de "não", nada de "enfim"
 deixe de frescura e converse comigo
 um beijo

- alguém disse ficou off-line.
alguém respondeu:
alguém 
o fato, que eu ia falar.
bom, serei objetiva, e é até melhor que você não esteja aí, para não ficar dizendo que eu dou voltas para falar as coisas, ou mandando eu ser objetiva, seu chato.
eu me apaixonei por você, antes mesmo de lhe conhecer, blá blá blá.
me apaixonei pelas letras, por uma parte de você
agora eu estou me achando ridícula, haha, mas não tem como não ser ridículo falando de coisas assim

[Alguém respondeu falou tudo, foi dormir com raiva de Alguém disse, e rindo de si mesma por se achar tão ridícula, mas o que poderia ela fazer? Apenas sorrir]
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Não importa se você tem 20, 40, 55 ou 99 anos. Existem coisas, que não mudam. Para todas as outras, existe O Tempo.


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besos,
lua.