sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Ainda mais uma vez, O último dia.

Ou: Sobre a necessidade de renovar-se.
Ou ainda: Dormir, é morrer um pouco, a cada dia. 
Ou talvez: Pelo menos uma vez por ano chegamos ao fim de uma parte, e ao início de outra.

* Escrito originalmente no dia 30 de Setembro de 2010, durante uma aula de Sociologia da Arte.

-
O coração para, enquanto a cidade esfria. Tudo cai. Mascaras, verdades e pessoas. A inexistência passa a ser verdade, para mim. O talvez que escondia infinitas possibilidades dói agora bem menos que o nunca mais que se faz presente em todos os lugares. A vida se esvai. Em mim, o preto e o branco se derramam feito água, e levam todas as cores do mundo.
A última valsa soa no ar, do último dia, do último pôr do sol. A vida segue o seu rumo, crianças brincam na rua, homens andam apressados, mulheres na beira do fogão, meninas suspiram na janela. Revisito tudo o que já passou nessa terra, me detenho nos dias de sol quente e coração rachado. O sol para, o coração seca o rio que não chegou a encontrar o seu aprumo no mar.

Nunca mais nessa vida eu vou ter novamente 19 anos de idade.
-
(Recife, 11 de Fevereiro de 2011
A todos que por aqui passam, obrigada.
Lua.)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

1.

*postagens aleatórias de 2011.

Eletricidade, talvez seja essa a palavra que descreva melhor. Eletricidade percorria o corpo dela, a medida que ele se aproximava. Ela não parava. De um lado para o outro, aparentemente nervosa. Não, isso não é amor, muito menos a paixão do texto anterior, que é apenas ficção. Isso é sinestesia. E isso sim, é diferente. Vai além. Além do que se pode alcançar, em abraços, e juras, e caminhos. Sinestesia, que envolve o corpo todo, com tudo e mais. Sons, letras, gostos, cheiros, cores, sensações. O coração dela sai pela ponta dos dedos, ela é, em todo, coração. A cada pulsação um sentimento.
Perto de tu[do], palavras são apenas palavras, e cada minuto é tempo valioso quando usado pelo silêncio. A presença dele era tão forte, que desconstruia todos os muros e barreiras invisíveis que ela tinha [re]construido ao redor. E de repente, ele estava lá, no mundo dela. E ela não sabia como lidar com isso, e como sempre [como ultimamente] tentava fugir. Para onde? De quem? Até quando?
Ele sorria, leve, vento, voo, livre. Era um passáro completo. Era o vento, era conduzido por Oiá.
Sim, ele estava lá. Onde? Em todo lugar, em cada esquina, no mundo dela. Estava só, e sempre de passagem. Sim, ela sabia, e mesmo não fazia sentido, o futuro não existia ainda, o passado não mais. Tudo que havia era presente. E como presente, tinha que ser agradecido.
O agradecimento vinha na forma de sorriso, e da ponta dos dedos dela, tocando o rosto dele. Tudo, dizia mais ou menos assim:

"Obrigada por tu, e por tudo.
Obrigada pelos passos, pelo pouso, e pelo caminho.
Obrigada pela luz, pelas certezas, e incertezas,
Pelo carinho, doado, permutado,
Obrigada pela leveza, que é tu.
Pertinho, só em lembrar."

"A tua presença, é branca, verde, vermelha, azul e amarela"