sexta-feira, 25 de março de 2011

Caminho das Águas.

"...amor não chora, que a hora é de deixar, o amor de agora, pra sempre ele ficar, eu quis ficar aqui, mas não podia, o meu caminho a ti, não conduzia, um rei mal coroado, não queria o amor em seu reinado, pois sabia não ia ser amado, amor não chora, eu volto um dia, um rei velho e cansado já morria, perdido em seu reinado, sem maria..."
Geraldo's Azevedo e Vandré - Canção da Despedida

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 - .a partir de agora é realidade. - 
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Pensou em correr, para o futuro, o passado, o presente, para todos os lados. Pensou em correr, para qualquer lugar, qualquer espaço, qualquer cercania. Pensou em correr e não parar mais. Pensou em correr, pois assim talvez quem sabe, em velocidade, num impulso, ao abrir os braços, pudesse voar. Pensou em correr. Pensou.

Pensou que ia morrer. Encomendou o caixão, escreveu a poesia, guardou o testamento. Deitou na cama, fechou os olhos, pensou que morria. E, nada.
    
Pensou que chovia. Ainda de olhos fechados, os ouvidos ficavam mais atentos. Então ouvia a água caindo do lado de fora do quarto. E de repente, se sentiu água. Abriu os olhos e foi pra chuva. Era água, e da água virou rio.

Sonhou que era rio. E como rio, passou várias vezes no mesmo lugar, até achar o caminho. E quando enfim achou, correu, com todas as forças, todas as gotas, todos os sonhos do mundo.

E no fim encontrou, encontrou o seu aprumo no mar.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Jardim de Inverno.

- Entre tantas coisas que tenho em mim, carrego dentro do peito um coração amarelo, feito o sol. -

 Queria parar o tempo, em um daqueles momentos que se dá vontade de morar. O tempo parado não seria no passado ou no futuro, seria no presente, seria sempre um presente. Dias de sol, dias de lua, a vida seguiria seu curso inalterável, e todos os outros nós viveríamos o que de fato haveria de existir.


Onde derramei os meus olhos?
Talvez, aí esteja também o meu coração.

Amarelo.