sábado, 21 de abril de 2012

Sobre o som do silêncio.

*Ou ainda, entre caminhos.
*Escrito originalmente em 23/03/12, mas sempre atual. 


A vida me pôs a prova de várias maneiras. Brincou com todos os meus sonhos, me mostrou o quanto sou frágil, me mandou ao Leito de Procusto. Tudo para ver até onde eu aguentava. Não foram poucas as vezes em que eu pensei em desistir. Que eu pensei em me render. Noites em claro, cabeça em desalinho, a alma querendo fugir. Dias a fio tentando entender o porque, tentando, buscando respostas, palavras, qualquer coisa que explicasse, que ordenasse o caos.
Até que... Desisti! Me rendi. Me entreguei ao poder que rege o meu destino. 
Coloquei minha alma ao vento, joguei o meu corpo no mar.
O mar fez morada em mim. 
Meu coração que era pedra , virou sal. 
Salgado. Saudade. 
Todas as dores que eu sentia e que eram latentes na carne e na alma, emudeceram. Entrei num estado letárgico, ou melhor, saí de mim. Ainda estou fora na verdade. Projetei a minha alma para fora, para tentar entender o que esta acontecendo. Ao mesmo tempo esse fora é dentro. Além dos movimentos de empuxo e repuxo, de estica e corta do Leito de Procusto. Agora a vida me mostra o fora e dentro, o vai e o vem, as ondas do mar.
Sou rio, nasci rio, e estou chegando pela primeira vez a um aprumo, a meu primeiro aprumo na vida.
O aprumo do rio é o mar.
Estou chegando ao mar, mas o engraçado é que sempre estive lá também. 
Sou rio, sou mar, sou água. 
Quero ser nuvem, sendo água.
Sou corpo, alma e coração.
A vida depois de tanta prova me traz um pouco de calmaria. Mas não me rendo à calma por completo. No mar os pescadores mais experientes é que sabem que toda calmaria traz uma tempestade.
Mas agora não é só calmaria, é serenidade também.
Estou serenando, sereninho, sereníssima... asserenando.

Perto do fim do dia, começo de noite, sereninho começa a cair. É pó de estrela?

domingo, 15 de abril de 2012

Pontuações.

Em algum lugar do tempo parado:

- O que houve?
- Eu tenho um minuto para decidir a vida inteira.
- Não, você não tem.
- [...]
- Você já decidiu tudo no dia em que sorriu pela primeira vez.
- E porque essa sensação?
- Vazio, frio... Talvez.
- A vontade que dá é de largar tudo, jogar tudo pro alto.
- Sim, eu sei...
- E se...
- Tenta.
- Força cadê?
[...]

O tempo partiu-se

Sobre tudo e nada ao mesmo tempo.

Saudade.

É isso, é tudo.

(É o que estava preso na garganta, são as lágrimas que estavam seguras nos olhos como um rio represado. É o abraço pronto, esperando outros braços pra entrelaçar. São os ouvidos atentos, esperando a qualquer momento ouvir os sons caracteristicos de você chegando em casa. É o quadro na parede, os sapatos guardados e os sonhos guardados também)

Sou eu.

Apenas.

E só.

É só, saudade.

De algo ou alguém que cada dia mais parece nunca ter existido.