sábado, 26 de maio de 2012

Encontros e Despedidas.

 1 - Sobre pessoas que passam em instantes, mas na verdade que parecem estar a séculos.


Sentada a beira do Cais esperava ele chegar, saído talvez dos sonhos dela ou de um passado que cada vez mais parecia não ter existido.
Mas existiu. Nas conhecidências que a vida proporciona. No carinho existente de séculos. No tempo parado, na cidade velha, nos dias de Janeiro eternizados em pôr-de-sóis. Nos fins de tarde, a beira do rio que corta a cidade velha.
Amarelo ouro nós eramos, e nossos sorrisos transbordavam da alma. Éramos também azuis. 
Fomos leves e iguais passarinhos que no dia certo voam do ninho para não voltar.
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Noite passada sonhei com você. E hoje a beira do Cais entrei na tela do passado, na nossa cor amarelo ouro. Senti teu abraço e teu cheiro. Tua presença me envolveu e eu sorri.


Au Revoir.
Até o próximo Cais, ou a próxima vida.

domingo, 20 de maio de 2012

2.


* postagens aleatorias de 2012, ou apenas reflexões.

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Tentarei escrever essa história não para mostrar que eu sou sublime, mas para tentar colocar um pouco de ordem no caos.
Não entendo porque tantas voltas se tudo acaba no mesmo lugar.
Estamos apenas de passagem, e passamos uma e tantas vezes no mesmo lugar, em vários corpos, muitos sonhos, um único objetivo.
A modernidade nos trouxe uma nova cosmovisão. E hoje apenas respiramos, mantemos o corpo vivo, vivemos para o corpo. Calamos a alma, deixamo-la cega, surda e louca.
Não há destino?
Todos os homens serão santos, um dia.
Escrevi dois livros nessa vida, um conta a minha vida e o outro a vida que eu queria ter.
Vivi tudo, amei e até cri. E hoje sonho apenas com um pouco de leveza.
Sonho com asas que se desprendem de mim. Sonho em ser leve e voar.
Em que lugar ou momento da vida nos perdemos? Quando pareceu mais fácil? O que há por trás do véu de Isis?
Somos pó de estrela, somos poeira, somos luz.
Somos aqui água.
A verdadeira riqueza mora na liberdade de ser. As amarras são construídas. Os nós sempre estiveram livres, mas fomos iguais a passarinhos que entram em choque quando a porta da gaiola é aberta. A liberdade assusta.
Você está aí?
Abra os braços, e vamos voar.
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terça-feira, 15 de maio de 2012

Desalinho.

Esteve novamente lá, depois de alguns anos, o que parecia ter sido a vida inteira. Caminhou por todas as ruas de passos antigos e lembrou-se das mãos dadas e dos dias de sol. Era noite e não chovia. Sorriu, pois a sua frente passava o passado em todos os passos das pessoas novas que viviam o que já tinha existido naquele mesmo lugar. O tempo se esgotou e a noite já estava ida, virou os pés, o corpo, deixou o coração e foi. Foi pra beira do rio esperar o caminho de casa passar. Olhava o rio e baixinho conversava. Espiou a vida que seguia seu curso, as moças que se enfeitavam pro domingo, as crianças que aprendiam a andar, os velhos que sonhavam.

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Acordou com a alma em desalinho. Banhou-se nas lágrimas que corriam. Vestiu uma roupa qualquer. Esqueceu a barba por fazer, a casa aberta, e a comida. Não importava mais as horas, o tempo havia parado. Os rostos não se voltavam mais. Nada valia um sorriso. Cansou. Despiu as roupas, pulou no rio. Foi levado pela correnteza, para todos os lugares do mundo.

*fragmentos escritos em algum tempo parado de 2011.

sábado, 12 de maio de 2012

Desalento.

"...a promessa que eu fiz foi diferente, pois na volta parece que é mais perto, não há jeito melhor que o jeito certo, quem quer sombra é melhor jogar a semente, quando for dar um passo olhe pra frente, saiba bem do caminho na largada, e não vá se perder com tanta estrada, não se pode esquecer do objetivo, não há laço melhor que o afetivo, nem amparo melhor que a madrugada..."
Boa Hora - Juliano Holanda
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Quando decidiu ir embora não pensou duas vezes, não separou roupa, não levou pertences. Apenas foi. Deixou saudades, deixou vazio, despedaçou os sonhos. Mas foi. Alguém ficou. O tempo passou.
Quis voltar mas não podia. Descobriu de fato aquilo que chamavam de saudade. Sentiu frio na alma. Chorou. Sorriu. Nunca mais sonhou.
O tempo passara. As pessoas mudaram. Tanta coisa aconteceu.

- Eu sei.
 - De novo.

- Eu sei.
- Eu não consigo acreditar.

- Eu sei.
- Uma vez é burrice, duas vezes é loucura.

- Eu sei.
- Pensei que você tinha aprendido.

- Eu também.
- Dói né?

- Eu sinto.
- Vai sentir muito mais.

- Eu sei.
- Adeus.

- ...
- ...

*escrito originalmente em 19/11/11.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Sobre a sustentável leveza de Ser.

Quero ir até onde der. Até onde for pra ser. Quando o corpo quiser parar, que pare. A alma continuará. Se houver de nascer de novo, quero ser água. Quero correr o mundo. Se eu tiver de criar raízes, quero ter galhos, ramos, quero me expandir ao sol. Quando as raízes não me prenderem mais ao chão, quero ser passáro, sem pouso, quero céu azul sem nuvens. Imensidão. Quando o céu estiver pequeno, quero então universo. Espaço sideral. Quero ser pó de estrela, sereninho. Ser luz, e só.

Leveza.
É apenas mais uma passagem.