terça-feira, 15 de maio de 2012

Desalinho.

Esteve novamente lá, depois de alguns anos, o que parecia ter sido a vida inteira. Caminhou por todas as ruas de passos antigos e lembrou-se das mãos dadas e dos dias de sol. Era noite e não chovia. Sorriu, pois a sua frente passava o passado em todos os passos das pessoas novas que viviam o que já tinha existido naquele mesmo lugar. O tempo se esgotou e a noite já estava ida, virou os pés, o corpo, deixou o coração e foi. Foi pra beira do rio esperar o caminho de casa passar. Olhava o rio e baixinho conversava. Espiou a vida que seguia seu curso, as moças que se enfeitavam pro domingo, as crianças que aprendiam a andar, os velhos que sonhavam.

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Acordou com a alma em desalinho. Banhou-se nas lágrimas que corriam. Vestiu uma roupa qualquer. Esqueceu a barba por fazer, a casa aberta, e a comida. Não importava mais as horas, o tempo havia parado. Os rostos não se voltavam mais. Nada valia um sorriso. Cansou. Despiu as roupas, pulou no rio. Foi levado pela correnteza, para todos os lugares do mundo.

*fragmentos escritos em algum tempo parado de 2011.

Um comentário:

Nininho disse...

ótimo! você merece um presente por conta desse desalinho