domingo, 24 de junho de 2012

A história (não contada) do amor.

Quando o coração não vê, e os olhos não sentem, a alma padece. O amor corrói, suga, sufoca, acalma e mata. Sim, morre-se de amor. Daquele amor que envenena, que obnubila a visão, que ensurdece. Daquele amor que explode, que ilude, que não se realiza. O amor é uma convenção, é uma regra e ao mesmo tempo a exceção de todas as regras. É paradoxal, é inconstitucional e arrebatador.
O amor não suporta clichês, ele é único, criativo, e inovador. Mata-se o amor, e os amantes, ao se buscar as mesmas histórias do passado, no presente, para o futuro. O amor não quer motivos, seguranças ou saudades. Ele quer vontade, intensidade, e mais que tudo, verdade. O amor quer o agora, o aqui, o momento e o sempre. O amor não é doce e rosa. É vermelho e intenso, é corpo, alma e coração. É a mistura do mar com o rio. Do rock com o jazz. O amor é uma dança, é um jogo, é um filme.
Vende-se o amor, em farmácias, cinemas, esquinas, e rodízios de carne. O único preço é o quanto você pode dar de si, para o amor.


sábado, 16 de junho de 2012

Sobre café e saudades,

Enquanto fazia o café pensava na vida. Colocou a água no fogo, e lembrou de como parecia ferver o seu corpo naqueles anos. Pegou o pote de café e lembrou do cheiro do café que a Avó fazia quando ela era criança, quando ainda nem tomava café. Lembrou-se do cheiro, um cheiro gostoso de café sendo coado no coador de pano, já preto de tanta borra, e sentiu remorso por nunca ter experimentado o café da Avó, porque era criança, e seus gostos eram outros. Então pensou em quantos cafés já tinha perdido nessa vida, decidiu parar de pensar, para não ficar por ali mesmo. Pegou a colher de pau e o seu coador de pano, quase tão gasto quanto o da Avó das lembranças. Esperou a água esquentar e olhando as bolhinhas que subiam na água lembrou-se de quando a vida era vivida por entre copos de refrigerantes. Lembrou-se de fato do primeiro copo, do primeiro corpo, o primeiro amor. A água esquentou. Tirou do fogo, derramou devagar sobre o pó no coador, e fechou os olhos pra sentir o cheiro que subia fumegante. Sorriu. Lembrou do primeiro café feito com aquele coador, e da dica pra comprar a colher de pau. Enquanto apertava a borra com a colher, lembrou do sorriso e sorriu junto. Tudo parecia estar ali. O café feito, o cheiro forte. Encostou-se à pia com a primeira xícara, bebia devagar para apreciar o sabor e sentir a quentura, então lembrou dos filhos, onde estariam eles nesse momento? A menina provavelmente estaria na escola, aprendendo as primeiras letras, e o menino jogando futebol na casa dos amigos. Sorriu, imaginou que eles estariam bem. Encheu a segunda xícara e sentou no sofá, tentando lembrar nomes. O café acabou, e as lembranças vieram fortes, mais fortes que o café. Os filhos não existiam, tinham ficado apenas nos planos. Nos planos de dois que nunca chegaram a ser um. Sorriu novamente, fechou os olhos devagar, adormeceu ali mesmo. 

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(Escrito em algum tempo perdido do passado, estava vendo alguns textos antigos que tinha escrito e encontrei esse)

domingo, 10 de junho de 2012

Redemoinho.

Cansado, olhava todos os corpos em movimento a girar pelo salão. Noite bonita. Festa bonita. Por dentro uma solidão. O peito apertava e pensava em parar. Guiado pelo vento entrou na roda e esqueceu do mundo. Por momentos foi apenas impulso, vontade. Expressou com o corpo o que a alma queria gritar. Todos os olhos se voltaram mas ele não percebia. Nem era o que queria na verdade. Quando parava e se situava novamente no tempo e espaço sentia uma aterrorizante vontade de sair correndo, de si. Ir embora apenas. Mas sabia que tinha que ficar até o fim. Até onde fosse pra ser. E foi o que fez. Até as luzes se apagarem e o sol clarear o novo dia. Esqueceu da unidade de sua personalidade e comungou com o universo das forças que moviam o mundo pelo vento.

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Todos os dias morremos um pouco nas pessoas que vão embora.
E nascemos também nas que chegam.
É inevitavel. O correr da vida é responsável por tudo.
Algumas vezes o mais dificil é aceitar que é preciso ir embora.

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O que realmente importa cabe no simples.
Porque complicamos tanto?

domingo, 3 de junho de 2012

3.

* - Postagens aleatórias de 2012 ou apenas reflexões.

A lua no céu me parece tão grande hoje. Olhando-a daqui de baixo fico anestesiada com tamanha beleza e brilho. Sorrio. Há milênios ela influência a água no planeta. Uma índia me contou outro dia que em noites de lua grande, bebês no útero de suas mães se mexem mais. O fato é que não tem como não parar tudo e olhar para o céu. A beleza da lua me deixa muda.
Nossa Senhora do Silêncio. Este era o nome pelo qual Fernando Pessoa chamava a lua. Nossa Senhora do Silêncio, me disse um sábio intelectual das ciências sociais outro dia.
Oxu, na Mitologia Yoruba que fundamenta o Candomblé no Brasil. A lua se chama Oxu em algum lugar da África.
Mond. Der Mond, em alemão. Em alemão a lua não é uma palavra feminina, e sim masculina. Esse fato, acredito eu, altera a cosmovisão daquele povo sobre a lua. Fico tentando imaginar as estórias para crianças alemãs onde a lua (tão feminina pra mim) se torna um elemento masculino.
A luz dela é tão forte, e de tanto olhar encegue-ço. Jurei ver São Jorge e o Dragão dando a volta nela agora. Coitado, porque foi para tão longe? 
Outro dia ouvi alguem dizer que um homem chegou até ela. Depois escutei também muitas teorias que tentavam mostrar que tudo não passou de conspiração.
A valsa mais bonita que eu ouvi nessa vida foi feita pra ela. E quem fez, jurou de pé junto que esteve lá, e que encontrou anjos.
O certo é que há milênios ela influência a vida neste planeta. As marés, as mentes, os corpos, os sonhos, a vida.
Olhando-a daqui de baixo, me sinto cada vez mais como se estivesse num barco, navegando no universo, me guiando pelo brilho e pela beleza do luar.

03/06/12