domingo, 10 de junho de 2012

Redemoinho.

Cansado, olhava todos os corpos em movimento a girar pelo salão. Noite bonita. Festa bonita. Por dentro uma solidão. O peito apertava e pensava em parar. Guiado pelo vento entrou na roda e esqueceu do mundo. Por momentos foi apenas impulso, vontade. Expressou com o corpo o que a alma queria gritar. Todos os olhos se voltaram mas ele não percebia. Nem era o que queria na verdade. Quando parava e se situava novamente no tempo e espaço sentia uma aterrorizante vontade de sair correndo, de si. Ir embora apenas. Mas sabia que tinha que ficar até o fim. Até onde fosse pra ser. E foi o que fez. Até as luzes se apagarem e o sol clarear o novo dia. Esqueceu da unidade de sua personalidade e comungou com o universo das forças que moviam o mundo pelo vento.

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Todos os dias morremos um pouco nas pessoas que vão embora.
E nascemos também nas que chegam.
É inevitavel. O correr da vida é responsável por tudo.
Algumas vezes o mais dificil é aceitar que é preciso ir embora.

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O que realmente importa cabe no simples.
Porque complicamos tanto?

5 comentários:

Janayna disse...

texto lindo, maravilhoso.
me trouxe respostas.

Sofia disse...

As vezes, vir aqui é como se eu tivesse lendo a mim mesma.

raffarauujo disse...

Me identifico! Sentir essa solidão de um vazio, que já preenchido não satisfaz. Uma saudade do que nunca se viveu, uma curiosidade do futuro que não aconteceu e hoje não é presente nem foi passado.
A vida realmente é um jukebox, a gente escolhe a música e nem sempre dança. E por vezes sinto a ausência daquele tom, da batida e do compasso onde eu consigo fechar os olhos e me deixar levar. Quando eu os abro, já não sou mais quem fui, quem eu era, já não estou onde eu estava.
Tentar ser eclético pode ser se privar de sentir com mais força aquela sensação única, é não fechar os olhos para a música, é andar por entre as músicas e pelas vidas com tal pluralidade sem vestígios de personalidade.
Por vezes é difícil o processo inverso. Se fecho os olhos no silêncio não relembro a minha música, não sei em que compasso me perdi. Lembranças vagas me remetem ao tom. E fico ouvindo essa música incompleta. Tão saudosa quanto os passos da dança que a vida tomou, tão triste quanto a angústia do que eu não posso ou não consigo compreender.
Mas recordar é viver. E graças a música que é imortal, o disco sempre toca novamente, trazendo fragmentos de lembranças e sentimentos.
Espero que as pessoas que tiverem que ir embora deixem suas músicas, para que eu possa revivê-las. Não sei se acho a minha música ou se ela ainda serve. Mas mal posso esperar para ouvir novas canções, e que essas sim possam me embalar.

--

Curioso é que achei teu blog procurando por alguém que eu gostava bastante na infância. Gosto bastante do que escreve, e me sinto feliz em ver essa amostra da pessoa que tu se tornou :)
Estudamos juntos há um tempão e quando lembro de você quase posso ouvir uma música.
Um abraço!

raffarauujo disse...

Me identifico! Sentir essa solidão de um vazio, que já preenchido não satisfaz. Uma saudade do que nunca se viveu, uma curiosidade do futuro que não aconteceu e hoje não é presente nem foi passado.
A vida realmente é um jukebox, a gente escolhe a música e nem sempre dança. E por vezes sinto a ausência daquele tom, da batida e do compasso onde eu consigo fechar os olhos e me deixar levar. Quando eu os abro, já não sou mais quem fui, quem eu era, já não estou onde eu estava.
Tentar ser eclético pode ser se privar de sentir com mais força aquela sensação única, é não fechar os olhos para a música, é andar por entre as músicas e pelas vidas com tal pluralidade sem vestígios de personalidade.
Por vezes é difícil o processo inverso. Se fecho os olhos no silêncio não relembro a minha música, não sei em que compasso me perdi. Lembranças vagas me remetem ao tom. E fico ouvindo essa música incompleta. Tão saudosa quanto os passos da dança que a vida tomou, tão triste quanto a angústia do que eu não posso ou não consigo compreender.
Mas recordar é viver. E graças a música que é imortal, o disco sempre toca novamente, trazendo fragmentos de lembranças e sentimentos.
Espero que as pessoas que tiverem que ir embora deixem suas músicas, para que eu possa revivê-las. Não sei se acho a minha música ou se ela ainda serve. Mas mal posso esperar para ouvir novas canções, e que essas sim possam me embalar.

--

Curioso é que achei teu blog procurando por alguém que eu gostava bastante na infância. Gosto bastante do que escreve, e me sinto feliz em ver essa amostra da pessoa que tu se tornou :)
Estudamos juntos há um tempão e quando lembro de você quase posso ouvir uma música.
Um abraço!

Lu Barros (Eluza) disse...

minha linda, saudades de seus belos textos, vim te ler!