quinta-feira, 28 de março de 2013

Em alinho.

A dança era leve e bonita, nos passos deles. Parecia até que viveram a vida inteira esperando aquele momento, aquela dança. Dançavam com o som ambiente, o barulho do mar, do rio, dos passáros. Giravam e pareciam mais o mundo dando voltas naquele salão aberto. Eram os dois: pés no chão e coração em alinho. Sorriam, sorriam com os olhos. Olhavam-se e o mundo parava. Parava tudo, até mesmo o tempo. Pareciam na verdade versos, eram em verdade poesia. Até alí, até aquele momento da primeira dança no mundo, tinham apenas andado. A partir dalí, dançariam a vida inteira. Mesmo sem saber, ou achando que não sabiam. Era os braços abertos para o mundo. Para o amor. Porque este sim era do tamanho do mundo. Por este amor valeria a pena, trocar a segurança do mundo interior, a segurança das frases feitas, a segurança dos muitos corpos. Era seguro se arriscar, se aventurar. O chão não era em falso, era de barro batido, mas forte o suficiente para sustentar os passos daquela dança. Descobriram muito tempo antes, que o que realmente importava cabia no simples. Nos passos da dança do amor.

2 comentários:

Janayna disse...

que lindo texto!
que bela e leve dança!
senti-me guiada por passos soltos, mas certos de onde iremos chegar!

Marlua disse...

Há um tempo não sorvia de um café servido por você. Dança linda, de amar e acasalar com coisas boas... Leve feito pluma. Suave... Suave... Também senti-me dançando. Xeru"