terça-feira, 17 de junho de 2014

Mesa 21.

Entre cafés é livros olhava o Rio que corria mais a frente. Mais que isso, olhava as pessoas que passavam na Rua. Olhava o céu que ameaçava chover. Olhava o presente, o passado, mas não conseguia pensar no futuro.
Ali naquele mesmo café, naquela mesma mesa, esteve tantas e tantas vezes com tantas pessoas. Todos se foram, ela permanecia. Era uma permanência no tempo e espaço que fazia tudo se misturar, coisas como as lembranças, as vozes e os sons.
Ali naquele exato lugar, chorou, sorriu, sonhou, ouviu, conversou, pensou, discutiu, esperou, cansou, até dormiu. Sentar ali era como parar o tempo. Aquele café já nem era o mesmo, até o garçom habitué já tinha se ido. Mas ela sentava ali e logo vinha seu café preferido, todos sabiam.
Ali ela escreveu, em dias chuvosos e ensolarados. Ali ela leu seus textos e sua alma para outrem. Ali na esquina da confluência de ruas e pontes. Ali ela podia sentar e ser ela apenas.
Com o café cheio ou vazio, aquela mesa estava sempre reservada. Esperando ela chegar. 

Um comentário:

Manuel das Dores disse...

As pessoas estão amarradas às coisas e isso normalmente é muito óbvio. Nem tanto é a ideia de que as coisas também estão amarradas às pessoas. :)