sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

05-12-2014

Hoje faz um ano que eu saí da casa de minha mãe, num movimento natural do crescimento, buscando me tornar alguém mais responsável.
Hoje faz um ano que fui morar sozinha.
Talvez tenha sido o ano mais rápido da minha curta vida ate agora.
Com certeza foi o ano que mais me trouxe realizações.
Engraçado que antes, quando ainda eu morava com minha mãe, as vezes eu falava algo sem pensar, como que se tivesse saindo do meu coração: "eu quero ir pra casa".
Pensei que eu fosse parar de dizer isso ao ir morar sozinha, mas qual não foi a surpresa quando outro dia, me peguei murmurando a mesma coisa.
Nos últimos meses, descobri como que por acaso, onde ou o que é essa casa que eu tanto chamo.
É um lugar muitas e muitas vezes maior que eu, mas que ainda assim cabe completamente no meu coração.
A minha casa é um continente inteiro, e até um pouco mais.
A minha casa já foi invadida varias vezes, já foi explorada, já foi cortada, e quase assassinada.
Muitos desejaram a minha casa, muitos quiseram toma-la pra si, ela nunca se rendeu, sempre se reinventou, e nunca lhe faltou sonhos para se reerguer.
A minha casa é um pedaço do mundo, um pedaço tão grande que ainda me falta muito a conhecer.
Minha casa é uma dadiva da natureza, aqui tudo que se planta colhe, e os sonhos brotam ate mesmo das arvores.
Na minha casa tem uma cordilheira, tem florestas, desertos, e neve, e muito mais do que os olhos podem ver.
Minha casa tem todos os povos do mundo inteiro, e acolhe a quem chegar.
Minha casa se chama America Latina, e vai muito alem de países demarcados por linhas em mapas.
Minha casa é um continente inteiro.
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Também eu não poderia deixar de lembrar aqui, que hoje faz um ano da morte de um homem imensurável que foi Nelson Mandela.
Nelson é conterrâneo da casa dos meus ancestrais.
África, grande mãe, casa dos meus tataravós, casa dos meus ancestrais.

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