domingo, 31 de janeiro de 2016

Sobre sentir: Saudades.

O dia hoje está bonito, mas não mais bonito do que o dia em que você se foi. Aquele dia em que te levamos para o mar, e tu se misturasse com todas as águas do mundo, e nós sorrimos e choramos ao mesmo tempo, porque ali, naquele lindo dia, naquele único momento, de uma vez e para sempre você estava em nós, e nós estávamos em você, e assim ficará até o fim dos dias nossos, nós que ficamos aqui.
A saudade que ficou vez ou outra me faz rir, lembrando das coisas boas que vivemos nos últimos vinte e cinco anos passados, e as vezes me faz chorar, não de tristeza exatamente, mas de ausência, uma ausência tão presença que para mim parece que você está aqui, e que a qualquer momento vou te ver.
Hoje, hoje era um dia certo de te ver. Hoje completaríamos um ciclo. Hoje você faria 90 anos, e eu sairia correndo com flores, alguma lembrança ou tão somente um abraço, pois o que realmente importa estaria dentro desse abraço.
Hoje ainda assim é momento de celebrar e agradecer, agradecer ao acaso, a Deus, ou ao destino, a oportunidade de ter te conhecido, e de alguma forma, ter nascido através também de você, pois você gerou alguém, que me gerou.

Todas essas palavras são apenas saudade (mas não dói em mim, tá?)
Tenho plena certeza que ainda vamos nos encontrar, e todo o tempo que levará para isso acontecer, será no fim, apenas segundos, perto da eternidade que ainda há pela frente.


Luiza.
Luiza's (90 e 25 anos)
31 de Janeiro de 2016.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

1.2016


Quero escrever a minha história, mas não tenho lápis, caneta ou papel. Penso em tudo o que vivi até aqui e vem a mente tantos momentos dos quais poderiam virar filme. Revejo as pessoas que passaram por mim, desde a mais tenra idade até a menininha que eu vi hoje no ônibus a caminho da casa de minha mãe.
A trajetória da minha vida me levou a quem sou hoje, e não eu não voltaria atrás e mudaria algo, pois se isso eu fizesse, seria qualquer outra pessoa e não exatamente quem sou hoje.
Na verdade, bem sinceramente, queria ter ido embora em Novembro, junto com ela. Tudo ainda dói, mas não é tristeza o que me consome, é um vazio fixo e sem rumo. É um olhar para dentro e para fora, para cima e para o nada e perguntar bem alto qual o sentido de tudo. Se é acordar todos os dias e viver dentro de uma rotina sistêmica que mesmo quando fazemos algo fora do script ainda assim não escapamos da rotina da vida. É questionar se é a máxima da natureza (humana e animal), nascer, crescer, se reproduzir e morrer (e mais alguma coisa no meio do percurso).
O fato é que ando bem cansada, do mais do mesmo, e do mesmo do nada. O que ainda um pouco me salva é a literatura, que não leio, e sim devoro. Bebo as palavras escritas por outrens, janto parágrafos escritos a mil anos e degusto a poesia escrita em versos por um bêbado qualquer.
Repito mil vezes um verso de Pessoa "tenho em mim todos os sonhos do mundo" mas sempre acrescento: e um pouco de alguém que nunca existiu. Eu sou essa pessoa que nunca existiu, porque todos os dias ao levantar a minha cabeça do travesseiro, eu me invento e reinvento, e arrumo alguma desculpa, alguma mentira e alguma verdade para me convencer que vale a pena continuar.
Como já disse, não, não estou triste. Só colocando pra fora, um pouco do caos particular do meu universo intimo e solitário. Porque sim, eu  trago nos olhos e na alma, a sina de uma vida de Cem anos de Solidão.

p.s.: todo dia eu me convenço de que ainda há esperança.