sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

1.2016


Quero escrever a minha história, mas não tenho lápis, caneta ou papel. Penso em tudo o que vivi até aqui e vem a mente tantos momentos dos quais poderiam virar filme. Revejo as pessoas que passaram por mim, desde a mais tenra idade até a menininha que eu vi hoje no ônibus a caminho da casa de minha mãe.
A trajetória da minha vida me levou a quem sou hoje, e não eu não voltaria atrás e mudaria algo, pois se isso eu fizesse, seria qualquer outra pessoa e não exatamente quem sou hoje.
Na verdade, bem sinceramente, queria ter ido embora em Novembro, junto com ela. Tudo ainda dói, mas não é tristeza o que me consome, é um vazio fixo e sem rumo. É um olhar para dentro e para fora, para cima e para o nada e perguntar bem alto qual o sentido de tudo. Se é acordar todos os dias e viver dentro de uma rotina sistêmica que mesmo quando fazemos algo fora do script ainda assim não escapamos da rotina da vida. É questionar se é a máxima da natureza (humana e animal), nascer, crescer, se reproduzir e morrer (e mais alguma coisa no meio do percurso).
O fato é que ando bem cansada, do mais do mesmo, e do mesmo do nada. O que ainda um pouco me salva é a literatura, que não leio, e sim devoro. Bebo as palavras escritas por outrens, janto parágrafos escritos a mil anos e degusto a poesia escrita em versos por um bêbado qualquer.
Repito mil vezes um verso de Pessoa "tenho em mim todos os sonhos do mundo" mas sempre acrescento: e um pouco de alguém que nunca existiu. Eu sou essa pessoa que nunca existiu, porque todos os dias ao levantar a minha cabeça do travesseiro, eu me invento e reinvento, e arrumo alguma desculpa, alguma mentira e alguma verdade para me convencer que vale a pena continuar.
Como já disse, não, não estou triste. Só colocando pra fora, um pouco do caos particular do meu universo intimo e solitário. Porque sim, eu  trago nos olhos e na alma, a sina de uma vida de Cem anos de Solidão.

p.s.: todo dia eu me convenço de que ainda há esperança.

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