quarta-feira, 13 de abril de 2016

Sobre.

não, não sou mais o passado, o que ficou pra trás, muito menos sou o futuro que ainda não e nem e nunca acontecerá.
eu sou o agora.
este exato instante em que escrevo.
este exato instante em que respiro.
este exato instante eu sou.

eu não sou o que dizem, também não sou o que falo. sou mais o que calo, e o que ardo.
sou semente por um curto espaço de tempo, pois estou sempre morrendo e germinando.
eu não existo. insisto.
não sou meu retrato (auto), muito menos aquele quadro azul que foi pintado.
sou o desmantelo de carlos (pena filho).

eu sou a água que envolve e mistura o meu corpo no banho em casa ou no rio ou no mar ou na chuva.
eu sou o que eu nunca saberia descrever, porque só sei sentir (e muito).
sinto tanto que as vezes esqueço de (vi)ver.
e por vezes vivo tanto que as vezes esqueço de sentir.

e não me canso, me acabo.
e findo o dia, varo a noite, e me descubro novamente me cubro.
e me mexo, paro, descanso, corro, morro e nasço.

todo dia é o início, o meio e o fim.
todo dia é o primeiro, o último, e o pra sempre.
ontem não existe mais, amanhã não existe ainda (e talvez nunca venha a tal)
tudo o que há.

é presente.

-
lua durand

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