quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Alucinação.

"Eu não estou interessado em nenhuma teoria, nem nessas coisas do oriente, romances astrais, a minha alucinação é suportar o dia a dia, e o meu delírio é experiência com coisas reais..."

Um pequeno pedaço do universo desprendido do todo. Pela janela do carro vejo um milhão de pessoas em seus cotidianos, em suas histórias dignas de romances, em suas pequenas alegrias e seus momentos de êxtase. Quando foi que perdi dentro de mim a chave que me ligava ao mundo a minha volta? Me sinto tão destoante, tão distante, tão diferente e no mais infinitamente igual. Não, eu não quero um tratado geral sobre as certezas do porvir. Quero apenas o silêncio do amanhecer, alguma canção pra sorrir, meus pés na água rasa do mar, um pouco de vento e paz. 

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

2.

"quatrocentas horas num trem parado fora dos trilhos..."

Dando voltas em círculos concêntricos, onde o fim é o eterno começo. Precisei de dez anos da minha vida para perceber o eterno padrão que se repete. Por horas estive no centro, outras horas estive como espectadora. O espetáculo que se repetiu por todos esses dias, eu rodando em círculos no imenso deserto da minha solidão.  Entre nascer e pôr de sóis perdi a velha mania de acreditar nas promessas tão cheias de nada que de alguma forma me preenchiam. Quebrei os espelhos da casa, não tenho medo da má sorte, não tenho medo da morte. Ainda assim sou a mesma menina que carrega dentro do peito todos os sonhos do mundo e um pouco de alguém que nunca existiu.

colônia del sacramento, uruguay.
《2014》